BLOG VOLTADO À ÁREA JURÍDICA E AO CONTEÚDO INFORMATIVO DIVULGADOS NOS DIVERSOS CANAIS E VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. NÃO HÁ HORA CERTA PARA AS POSTAGENS. QUALQUER INFORMAÇÃO, AQUI INSERIDA, NÃO CONTÉM OPINIÃO PRÓPRIA E REFERÊNCIA A QUALQUER TIPO DE PRECONCEITO; APENAS O INTUITO DE INFORMAR E DIVULGAR.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
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sexta-feira, 10 de agosto de 2012
MENSALÃO
O que é?
Segundo o Ministério Público, era
o esquema de pagamento de propina a parlamentares para que votassem a favor de
projetos do governo. É o principal escândalo no primeiro mandato de Luiz Inácio
Lula da Silva (PT)
Como veio à tona?
No dia 6 de junho de 2005 , o jornal
''Folha de S.Paulo'' publica uma entrevista com o deputado federal Roberto
Jefferson (PTB-RJ), na qual ele revela a existência do pagamento de propina
para parlamentares. Segundo o presidente do PTB, congressistas aliados recebiam
o que chamou de um "mensalão" de R$ 30 mil do então tesoureiro do PT,
Delúbio Soares. O esquema teria sido realizado entre 2003 e 2004, segundo
relatório final da CPI dos Correios, e durado até o início de 2005. Jefferson
afirmou ainda que falou do esquema para o presidente Lula.
Quem estava envolvido?
José Dirceu, então ministro da
Casa Civil, foi apontado como o chefe do esquema. Delúbio Soares, na época
tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), também seria um dos ''cabeças''
do esquema. O publicitário mineiro Marcos Valério seria o operador do mensalão,
segundo Roberto Jefferson. Outras 37 pessoas estariam envolvidas.
Quais partidos participavam do
esquema?
Segundo a denúncia de Roberto
Jefferson, os parlamentares envolvidos seriam do PL (Partido Liberal), PP
(Partido Progressista), PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) e do
próprio PTB (Partido Trabalhista Brasileiro). Para o Ministério Público,
pagamentos foram feitos a integrantes do PTB, PP, PR (fusão do Prona com o PL)
e PMDB.
FONTE: UOL/Apuração e edição:
Bia Rodrigues, Marina Motomura, Gabriela Sylos, Fabiana Uchinaka - Arte: Mirian
Alves - Programação: Franklin Javier
Segundo a Procuradoria-Geral da República,
parlamentares integrantes do PP, PL (PL e Prona se fundiram dando origem ao
PR), PTB, PMDB, além do PT, receberam dinheiro, pessoalmente ou por
intermediários, para apoiar projetos do governo federal, por meio do esquema de
lavagem operacionalizado por Marcos Valério e seu grupo junto com dirigentes do
Banco Rural. Valério, que tinha contratos com o governo e era sócio nas
agências DNA Propaganda e SMP&B Comunicação, obteve empréstimos
fraudulentos dos bancos Rural e BMG e teria ainda enviado, de forma ilícita,
dinheiro para o exterior.
FONTE: UOL/Apuração e edição: Bia Rodrigues, Marina Motomura, Gabriela Sylos, Fabiana Uchinaka - Arte: Mirian Alves - Programação: Franklin Javier
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quarta-feira, 18 de julho de 2012
CNJ condena 31 juízes à aposentadoria compulsória
Desde que começou a julgar a conduta de magistrados, no início de 2008, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aplicou a pena máxima na maioria dos casos: aposentadoria compulsória. Trinta e um juízes foram mandados para casa, com bons vencimentos mensais - um desembargador pode receber até 90,25% do salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que hoje é de R$ 26,7 mil. São casos que vão de assédio sexual à venda de sentenças e desvio de verbas públicas.
Um total de 42 magistrados foram condenados pelo órgão nos últimos quatro anos - um ministro, nove desembargadores e 32 juízes de primeira instância. A maioria do Estado do Mato Grosso. Em 11 casos, as penas foram menores. Quatro juízes foram afastados de suas funções, mas continuam a receber (disponibilidade). Cinco, censurados. E dois punidos com remoção compulsória.
Alvo de críticas, os julgamentos do CNJ ganharam força com uma decisão recente do Supremo. Em fevereiro, por um placar apertado de seis votos a cinco, os ministros decidiram que o CNJ pode abrir investigação contra magistrado, sem a necessidade de fundamentar a decisão.
O entendimento representou uma vitória da corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, maior defensora do poder do CNJ. Os ministros do STF julgaram uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) ajuizada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que agora aposta numa atuação menos polêmica do substituto de Eliana, o ministro Francisco Cândido de Melo Falcão Neto, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que deve tomar posse em setembro. Já conversei com ele e sua posição é de que o CNJ só deve atuar quando as corregedorias não agirem, diz o presidente da AMB, Nelson Calandra.
Por causa do julgamento da Adin, o próprio Supremo cassou liminares concedidas a dez magistrados do Tribunal de Justiça do Mato Grosso (TJ-MT), punidos com aposentadoria compulsória por desviar aproximadamente R$ 1,4 milhão para uma loja maçônica. O relator do caso, ministro Celso de Mello, mudou seu entendimento, reconhecendo a competência do CNJ para investigar e punir juízes.
Recentemente, outro desembargador foi condenado à aposentadoria compulsória pelo conselho. Membro do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), ele foi acusado de assédio a uma das partes de um processo que tramitava na 1ª Vara de Família, Sucessões e Cível de Goiânia, onde era titular. Ele teria tentado abraçá-la depois de prometer emprego à filha dela. Segundo o magistrado, a visita à casa da mulher que movia uma ação de dissolução de união estável contra o ex-companheiro teve como finalidade discutir tratativas relacionadas à possível contratação da filha.
As condenações de magistrados pelo CNJ dão força a uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê uma punição maior na esfera administrativa: a perda do cargo. Hoje, um juiz ou desembargador só perde o direito à aposentadoria se for condenado judicialmente, situação rara até então. A PEC nº 505, de autoria da senadora Ideli Salvatti (PT-SP), já passou pelo Senado e está na pauta da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados.
A proposta sofre uma oposição ferrenha da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe). A entidade pretende enviar uma nota técnica aos deputados federais sustentando que a PEC é inconstitucional, segundo seu presidente, Nino Toldo. Para ele, é inadmissível a perda de cargo por uma decisão administrativa. A vitaliciedade é uma garantia da magistratura e deve ser respeitada. A perda de cargo só deve ocorrer após decisão transitada em julgado, afirma.
São raras, porém, as condenações na esfera judicial. Os processos se arrastam por anos e, em alguns casos, prescrevem. Desde 2002, o caso envolvendo um desembargador do Tribu
nal Regional Federal (TRF) da 3ª Região tramita no Judiciário. Ele foi condenado em 2008 pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) por corrupção passiva. Há recurso aguardando julgamento do Supremo. É muito demorado. Nesse tempo, a vaga fica congelada, diz a procuradora Luiza Cristina Fonseca Frischeisen, da Procuradoria Regional da República da 3ª Região. Na esfera administrativa, tende a ser mais rápido.
nal Regional Federal (TRF) da 3ª Região tramita no Judiciário. Ele foi condenado em 2008 pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) por corrupção passiva. Há recurso aguardando julgamento do Supremo. É muito demorado. Nesse tempo, a vaga fica congelada, diz a procuradora Luiza Cristina Fonseca Frischeisen, da Procuradoria Regional da República da 3ª Região. Na esfera administrativa, tende a ser mais rápido.
FONTE: JORNAL ECONÔMICO
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quinta-feira, 24 de maio de 2012
Comissão aprova união estável entre homossexuais
A Comissão de Direitos Humanos do
Senado aprovou nesta quinta-feira (24) projeto de lei que inclui no Código
Civil a união estável entre homossexuais e sua futura conversão em casamento.
A
proposta transforma em lei uma decisão já tomada por unanimidade pelo Supremo
Tribunal Federal (STF) em maio de 2011, quando reconheceu a união estável de
homossexuais como unidade familiar.
A proposta, da senadora Marta
Suplicy (PT-SP), ainda terá que passar pela Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ) antes de ir a plenário e também terá que ser votada pela Câmara dos
Deputados, onde deverá enfrentar muito mais resistência do que no Senado,
especialmente por parte da chamada bancada evangélica.
Em seu relatório sobre o PL, a
senadora Lídice da Mata (PSB-BA) defendeu a proposta lembrando que o Congresso
está atrasado não apenas em relação ao STF, quanto em relação à Receita Federal
e ao INSS, que já reconhecem casais do mesmo sexo em suas normas. A senadora
lembra, no entanto, que a conversão de união estável em casamento não tem
qualquer relação com o casamento religioso.
"O projeto dispõe somente
sobre a união estável e o casamento civil, sem qualquer impacto sobre o
casamento religioso.
Dessa forma, não fere de modo algum a liberdade de
organização religiosa nem a de crença de qualquer pessoa, embora garanta, por
outro lado, que a fé de uns não se sobreponha à liberdade pessoal de
outros", apontou em seu relatório.
Apesar da decisão do STF, que serve
de jurisprudência para as demais esferas judiciais, casais homossexuais têm
tido dificuldade em obter na Justiça a conversão, mesmo em cidades grandes como
São Paulo e Rio de Janeiro.
Vários juízes alegam, apesar da decisão do órgão
superior, que não há legislação a respeito. Durante a votação do STF, o então
presidente do Tribunal, ministro Cezar Peluso, cobrou do Congresso que
"assumisse a tarefa que até agora não se sentiu propensa a fazer" e
transformasse a conversão em lei.
Fonte: Agência Estado
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sábado, 24 de março de 2012
"A dor é
dilacerante", desabafa Malga Di Paula sobre morte de Chico Anysio
No final da madrugada deste
sábado (24), cerca de 13 horas após a morte de Chico Anysio, a mulher do
humorista, Malga Di Paula, voltou a desabafar em sua página no Twitter. "A
dor é dilacerante...", escreveu ela por volta das 5h da manhã.
Antes disso, na noite de
sexta-feira (23), ela já havia falado pela primeira vez sobre a morte do
marido: "Aprox.15 hrs d hj os refletores do céu foram ligados... O Show d
Chico Anysio estava para começar. A platéia??? Os anjos aplaudindo em
pé...". O primeiro lamento veio na sequência de uma frase de esperança
pela recuperação do marido. "Enquanto há fé, há esperança".
Durante os três meses de
internação de Chico, desde o dia 30 de novembro do ano passado, Malga usou seu
Twitter como ferramenta de informação para os fãs do humorista.
O velório de Chico Anysio, morto
na tarde desta sexta-feira em decorrência de falência de múltiplos órgãos,
acontece neste sábado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A informação foi
dada pelo advogado do humorista, Paulo Cesar Pimpa, na porta do hospital
Samaritano, onde Chico passou mais de 3 meses internado.
A previsão é de que a cerimônia
comece ao meio-dia, em evento fechado para familiares e amigos mais próximos.
Às 14h, o Theatro Municipal será aberto ao público. O corpo do comediante será
cremado no domingo (25), no crematório do Cemitério do Caju, ainda sem previsão
de horário.
Segundo o advogado, a economista
Zélia Cardoso de Mello, ex-mulher do comediante, que atualmente mora em Nova
York, está a caminho do Rio de Janeiro e deve acompanhar a cremação. Com Zélia,
Chico teve dois filhos, Rodrigo e Vitória.
O humorista Renato Aragão diz que
ficou "órfão" com a morte de Chico Anysio. "Nós, humoristas,
estamos órfãos, mas muito agradecidos. O Brasil ficou órfão, ele era um ator,
redator, um exemplo de multi talentos. Ele ajudava quem precisava e quem não
precisava, era um exemplo de generosidade para qualquer um."
Aragão conta que soube da notícia
e teve um "susto". "Foi um susto, minha mulher me comunicou e eu
não estou acreditando no que aconteceu. Apesar de a gente já estar prevendo,
estava muito esperançoso de que ele voltasse."
Aragão conta que conheceu Chico
quando ainda não trabalhava com humor e era bancário, no Ceará. "Ele
começou no rádio, e ouvi ele pela primeira vez lá. Só me encontrei com ele
quando vim para o Rio, trabalhar na Excelsior. Ele me ensinou muito, nunca me
esqueci. Demoraria um ano para falar dele, ele trabalhou em todas as televisões
do Brasil e sempre foi uma explosão, e queria continuar trabalhando. Nunca se
entregou".
Quem também se emocionou com a
morte de Chico foi a atriz Cláudia Jimenez, que interpretou a personagem Cacilda
na "Escolinha do Professor Raimundo". Na porta do hospital
Samaritano, ela lembrou o incentivo que Chico deu a sua carreira. "O
Brasil perde o humorista, e eu perco meu amado mestre".
O humorista, ator e escritor
Chico Anysio morreu, aos 80 anos, em decorrência de falência múltipla dos
órgãos, após choque séptico causado por infecção pulmonar, às 14h52, desta
sexta-feira (23). Chico não resistiu a uma parada cardiorrespiratória. A informação
foi confirmada pela assessoria de imprensa do hospital Samaritano.
VEJA OUTRAS DECLARAÇÕES SOBRE A
MORTE DE CHICO ANYSIO
O Brasil perde o humorista, e eu
perco meu amado mestre. Ele me inventou. Aquela pessoa que disse: 'pode ir que
vai dar certo', foi ele quem me disse. Eu tenho certeza que lá no céu já tem
uma rodinha com grandes humoristas: o Rogério Cardoso, o Costinha, já devem ter
preparado uma festa para ele. Para mim, ele foi o melhor artista do Brasil.
Cláudia Jimenez, atriz, no
Hospital Samaritano, no Rio
Meu garoto, meu pai-pai...
Trabalhei com ele 50 anos. É a maior perda do humor brasileiro. Ele era um
mestre, um gênio. Basta ver, é só a ligar a TV. Um mago do humor. Compositor,
redator, ele era completo. Não tinha ninguém parecido como ele, nem no Brasil,
nem no mundo. O Brasil perde, mas ficará com sua imagem e sua lembrança. Podem
levar este corpo, mas seu legado não vai acabar.
Castrinho, o Seu Geraldo da
"Escolinha do Professor Raimundo", no Hospital Samaritano, no Rio
Para o Chico, como pessoa, a
partida foi importante, mas, para a gente, vai ficar a saudade da cultura e da
genialidade dele.
Marcos Oliveira, o Beiçola de
"A Grande Família", no Hospital Samaritano, no Rio
Chico deixou um legado de
centenas de artistas que devem a ele a oportunidade de exercer a sua atividade.
Uma família maravilhosa. Acho que tenho que levar para a vida tudo que ele me
ensinou: sempre com muito humor. Ele era um barato de pessoa.
André Mattos, o seu Fininho da
"Escolhinha do Professor Raimundo", no Hospital Samaritano, no Rio
Lamento muito, ele sofreu tanto
até aqui... Para mim, é um amigo de tantos anos... Trabalhamos juntos muitos e
muitos anos e continuamos juntos no [canal] Viva. Diariamente mato as saudades
com ele... É a vida. Também já vou fazer 93 anos, sinto muito, não tenho
palavras para descrever. Que descanse em paz.
Orlando Drummond, o Seu Peru da
"Escolinha do Professor Raimundo", por telefone
Chico Anysio era a cara do
Brasil.
José Simão, colunista do UOL, por
telefone
Ele me lapidou quando eu cheguei
do Ceará. Ele era devoto de São Francisco e tinha esse lado franciscano de
compartilhar, ajudar o próximo. Há uma frase de Chico que não me esqueço. Ele
dizia: 'Tom, há dois tipos de humor, o que faz rir e o que não faz rir. A morte
dele encerra um ciclo de humor e de dramaturgia do Brasil.
Tom Cavalcante, humorista, em
entrevista à "Folha de S.Paulo"
Chico Anysio foi um dos artistas
mais brilhantes que o nosso país já produziu, exercendo várias funções em
diversos veículos de comunicação durante mais de seis décadas. Com o seu
talento e sensibilidade, criou e interpretou caricaturas inesquecíveis de tipos
humanos. Trabalhou incansavelmente durante toda a vida para levar alegria e diversão
aos brasileiros. Nessa hora de tristeza, quero me solidarizar com os seus
parentes, amigos e com toda a legião de admiradores que conquistou com a sua
criatividade.
Dilma Rousseff, presidente da
República, em nota oficial
Do começo no rádio, chegando à TV
com mais de uma centena de personagens que retratavam o Brasil de norte a sul,
deixou uma profunda lembrança em todos nós.
O humor de Chico era, ao mesmo
tempo, popular e cerebral. São tantos e queridos personagens. Certa vez, Chico
lamentou que a vida chegasse ao fim. Legou, porém, uma imensa e valiosa obra.
Ana de Hollanda, ministra da
Cultura, em nota oficial
No humor existe um AC e um DC:
antes de Chico e depois de Chico. Isso mostra o impacto dele no universo do
humor. Sempre muito gentil, conversava e ouvia a todos. Ele era grande no que
fazia e, ao mesmo tempo, muito generoso e afável com a nova geração. Uma grande
perda.
Rafael Cortez, humorista, por
e-mail
Chico Anysio sempre foi lembrado
durante toda sua vida pela qualidade do seu trabalho e continuará sendo
lembrado pelo mesmo motivo depois de ter partido. Quem está na luta todo dia
sabe que isso não é fácil, é algo realmente para poucos... seu legado é
inspirador.
Danilo Gentili, humorista, por
e-mail
Chico Anysio faz parte da
história da comunicação do país. Sempre foi um profissional à frente do seu
tempo. Nos anos 60, 40 anos antes de começarmos com esse movimento de stand-up
comedy, ele já fazia comédia de cara limpa com um texto brilhante. Puxei o saco
mesmo. Sou muito fã.
Rafinha Bastos, humorista, por
telefone
No fundo foi um alívio, porque
ele sofria há muito tempo. É claro que perdemos um grande comediante e, mais
importante, um cara que lançou tanta gente. O cara ser comediante genial e
hilário é incrível, mas ainda por cima ser generoso e abrir portas, levantar a
bola de amigos e novatos... Ele sabia que para ser um bom comediante precisava
também estar ao lado de bons roteiristas e comediantes. Ser só genial não
bastava, era preciso estar cercado de gente boa. Ele era genial e generoso.
Qualidade que no meio, onde o ego impera, vale muito. É muito difícil ver
genialidade e generosidade em uma só pessoa.
Fábio Porchat, humorista, por
telefone
Sou da geração que viu os
programas dele, imitava um personagem ou outro... Gostava muito do Alberto
Roberto, que era engraçadíssimo. Ele conseguia ser elegante e ao mesmo tempo
poopular, sem ser escatológico. Ele é a prova de que tem como ser popular e se
comunicar bem, sendo elegante. Ele me falou uma coisa incrível sobre a
popularidade: 'Meu querido Marcelo, o artista, precisa se comunicar, se ele não
se comunica, ele não é artista'. É um exemplo que levei para a vida. O artista
não tem que ter essa culpa em ser popular.
Marcelo Médici, humorista, por
telefone
Se vai o mestre dos humoristas.
Seu estilo e seu humor eram vários estilos e eram todos os humores,
influenciaram gerações de comediantes e espectadores. Muitas foras as alegrias,
e que sua paz seja tão grande quanto foram nossos sorrisos. E a gente fica
aqui, chico, tentando lembrar de tantos momentos bons, tentando rir ao invés de
chorar.
Bruno Motta, humorista, por
e-mail
O Chico foi uma grande referência
para nós artistas. Um grande ator e autor. Lutou pela vida até o final. Ele
demonstrou humor nos últimos momentos.
Marcelo Picchi, ator, no hospital
Samaritano, no Rio
O Chico Anysio é uma grande
referência no humor. Foi um dos precursores da stand up comedy no Brasil. Ele
era tão completo, que podemos dizer que foi o único comediante a inspirar todas
as áreas do humor. Ele influenciou quem faz stand up, quem atua com
personagens, a turma do improviso, a comédia no teatro, na televisão e no
rádio.
Mau Meirelles, novo integrante do
"CQC", por e-mail
É um dia muito triste, a
genialidade e a importância do Chico para a comédia são indiscutíveis.
Trabalhou até o fim da vida e deixou uma obra absurda. Descanso merecido.
Murilo Couto, humorista, por
e-mail
O Chico será sempre uma
referência. Ele era vivo no que fazia, uma pessoa naturalmente engraçada,
falava o que pensava. Ele é avô da minha filha, era meu sogro. O Chico era o
Chico.
Heloísa Périssé, atriz, em
entrevista à Globonews
Chico [Anysio] teve uma
importância fundamental na minha vida, ele me incentivou a seguir a carreira de
humorista. A comédia brasileira perdeu seu maior gênio. Não podemos esquecê-lo
nunca É muito duro perdê-lo.
Lúcio Mauro Filho, ator, em
entrevista à Globonews
Chico, descansa em paz!! Obrigada
por tudo que proporcionou a quem teve a sorte de conviver, de trabalhar com
você e a todos que levou alegria com seu imensurável talento! A você, meu amor
eterno!
Alcione Mazzeo, ex-mulher de
Chico, pelo Facebook
Chico Anysio foi um homem
importante para a história do Brasil . Ele deu a oportunidade de novos e velhos
comediantes se conhecerem. Trabalhar com ele na 'Escolinha' [do Professor
Raimundo] foi um grande aprendizado. Ele trabalhava de forma profunda.
David Pinheiro, o Armando Volta
(Sambarilove) da "Escolinha do Profressor Raimundo", em entrevista à
Globonews
É um luto nacional. Chico é um
herói nacional. Ele é um guerreiro, lutou até o último minuto. Estou com o meu
coração dilacerado, de tanto que amava esse homem.
Agildo Ribeiro, humorista, em
entrevista à Globonews
O Brasil inteiro estava vivendo
essa agonia, é uma morte que deixa o país inteiro comovido. Chico é o maior
criador do Brasil, ele é insubstituível.
Jô Soares, apresentador, em
entrevista à Globonews
Nunca mais vai ter Pelé e nunca
mais vai ter Chico Anysio. Nenhum ator que eu conheça conseguiu fazer a
quantidade de personagens do Chico.
Ziraldo, cartunista, em
entrevista à Globonews
Perdemos o maior ator comediante
do mundo. Nunca houve na história da comédia mundial quem tenha feito o que o
Chico Anysio fez. Quase 400 personagens. Uma fonte de arte. Ele se tornou o
maior ator do mundo, de todas as épocas. Foi um grande colega, um grande amigo,
uma pessoa extraordinária. O Chico era um paizão. Aquela escolinha abrigou
muita gente. Alguns que já estavam quase esquecidos. Foi uma pessoa fantástica
em tudo o que fez. Foi um paizão, se casou muitas vezes, teve muitos filhos e
sempre foi um paizão. Tenho certeza que eles perderam um grande pai.
Paulo Silvino, ator, em
entrevista à GloboNews
Às vezes ele entrava no camarim,
ficava umas três horas se maquiando e saía com outro personagem. Era
impressionante! Ele dava ideia a todos os atores que contracenavam com ele,
pegava um microfone, dirigia todo mundo e em seguida interpretava. Ele tinha
três cabeças: a do ator, a do diretor e do personagem.
José de Abreu, ator, em
entrevista à GloboNews
Conheci o Chico quando era menina
e ele ficou marcado na minha vida. Era um ator completo. Recentemente ele
compôs uma canção homenageando o Rio de Janeiro e me citou na letra, chorei
quando ouvi.
Regina Casé, apresentadora, em
entrevista à Globonews
Chico Anysio deixa vivo centenas
de personagens. Fica em paz
Serginho Groisman, apresentador,
pelo Twitter
RIP Chico Anysio! Guerreiro!
Mestre! Força para a família!
Fernanda Paes Leme, atriz, pelo
Twitter
Morre uma estrela...Chico Anysio
irá abrilhantar o céu agora!!
Geisy Arruda, empresária e
integrante da "Escolinha do Gugu", pelo Twitter
Vou ali, chorar a morte do amigo
Chico Anysio
Falcão, cantor e compositor, pelo
Twitter
Em estado de choque, sou louca
por Chico Anysio , meus sentimentos a toda a família, meu amigo Bruno, Cícero e
Malga di Paula amo vocês!!
Preta Gil, cantora, pelo Twitter
"Grande mestre se vai,
sempre eterno gênio Chico Anysio!"
Marcelo Tas, apresentador, pelo
Twitter
O brasil ficou menos divertido.
Helio de la Peña, humorista, pelo
Twitter
Meu coração hoje está
triste,porque perdemos uma das nossas referencias do humor eu tive o prazer de
estudar na maior escolinha do Brasil. Com certeza todos que conheceram o Chico
sabem o quanto ele foi amigo dos amigos não só grande humorista como um
tremendo bom caráter.
Sérgio Mallandro, comediante,
pelo Twitter
Valeu Chico Anysio! Você fez toda
a diferença! Descansa em paz e deixa sua vasta e genial carreira pra gente ver
e aprender!
Marcelo Adnet, humorista, pelo
Twitter
Triste, muito triste com a
partida de Chico Anysio!
Glória Perez, autora de novelas,
pelo Twitter
Chico Anysio obrigado pela
alegria que trouxe ao mundo! Vá com Deus.
Marco Pigossi, ator, pelo Twitter
Mais uma grande perda do
Brasil... Chico Anysio vá em paz guerreiro! Você ainda permanece aqui, dentro
de nós.
Chorão, vocalista do Charlie
Brown, pelo Twitter
Chico Anysio é um gênio e mestre
do humor...R.I.P Chico!!!!!
Sabrina Sato, humorista, pelo
Twitter
Chico Anysio foi, é e sempre será
o Rei do humor genuinamente brasileiro!
Ana Hickmann, apresentadora, pelo
Twitter
O Brasil perde a graça... Chico
Anysio suas historias seu talento e sua luta ficarão pra sempre!
Adriane Galisteu, apresentadora,
pelo Twitter
Difícil é o adeus... até breve
Chico! Missão cumprida!!!
Ângela Bismarck, modelo, pelo
Twitter
Obrigado Chico Anysio.
Marcos Mion, apresentador, pelo
Twitter
Tive o grande prazer de atuar com
o Chico Anysio e digo uma coisa. Morreu o MAIOR humorista que existiu no
Brasil.
Dira Paes, atriz, pelo Twitter
Meu Deus.Anjos, Espiritos do bem
manifestai-vos.Nosso Chico se foi.
Tom Cavalcante, humorista, pelo
Twitter
Desejo toda a FORÇA do mundo á
família do GRANDE Mestre dos Mestres Chico Anysio.
Rodrigo Sant'anna, a Valéria
Bandida de "Zorra Total", pelo Twitter
O Chico era uma unanimidade
nacional. Para meu entender ele fez um humor extraordinário, sem obscenidade,
sem ofensa, sem sexo e um humo que era o humor do povo brasileiro. Era um ator
excepcional. Todos os personagens dele tinham alma. Não só com rosto e voz
diferente, mas com espírito diferente. Não eram caricaturas, eram personagens
reais.
José Bonifácio de Oliveira
Sobrinho, empresário, em entrevista à Globonews
Sem acreditar na triste notícia
da "despedida" de Chico Anysio. Amigo querido, gênio do humor,
patrimônio nacional.
Amaury Jr., apresentador, pelo
Twitter
Chico Anysio não morreu, gênios
como ele nunca morrem, fica tudo que ele fez para sempre.
Silvio Luiz, jornalista, pelo
Twitter
CHICO ANYSIO mestre de uma
inteligencia que me fez muito feliz... Obrigado Chico e meus sentimentos ao
amigo Bruno Mazzeo...
Marcelo D2, músico, pelo Twitter
Chico Anysio, um dos maiores
mestres do humor da TV Brasileira. #RIP Meus sentimentos para o querido Bruno
Mazzeo e familiares.
Didi Wagner, apresentadora, pelo
Twitter
Eu e Marcelo Adnet estamos muito
tristes, adorávamos o Chico Anysio. Força pra família deste comediante que
sempre nos alegrou.
Dani Calabresa, humorista, pelo
Twitter
Um mestre que nos ensinou tudo,
no humor todo mundo é substituível, menos Chico Anysio.
Victor Sarro, humorista, pelo
Twitter
Alô amigo Chico Anysio: meu show
hoje no Circo Voador vai ser pra você.
Erasmo Carlos, cantor, pelo
Twitter
Mestre Chico Anysio, te amarei
pra sempre, um beijo no coração de seus filhos e suas famílias. A tristeza
não...
Wilson Simoninha, músico, pelo
Twitter
Descanse em paz mestre Chico
Anysio, artista genial.
Ed Motta, cantor, pelo Twitter
Não se morre, fica-se encantado -
Guimarães Rosa (para Chico Anysio).
Jean Wyllys, ex-BBB e deputado
federal, pelo Twitter
Querido Chico Anysio, vocês
estará para sempre em nossos corações e sorrisos. Beijos, com muito amor!
Babi Xavier, apresentadora, pelo
Twitter
Quem sempre me fez rir hoje me
faz chorar!
Claudia Leitte, cantora, pelo
Twitter
Nossa homenagem ao eterno mestre
do humor Chico Anysio!! Descanse em Paz.
Zezé di Camargo e Luciano, dupla
sertaneja, pelo Twitter
Chico Anysio foi o maior
Humorista desse pais!!! Poxa Chico... dessa vez não teve graça!!! Vai com
deus!!!
Paulo Gustavo, ator, pelo Twitter
Muito muito triste pelo Chico...
Ele é o melhor! Eterno! Gênio! Humilde! Único! Uma perda para todos nós.
Tata werneck, humorista, pelo
Twitter
Um grande beijo para todos que
estão sofrendo com a partida do nosso Chico, Deus sabe sempre o que faz. Muito
obrigado por tudo MESTRE. Sei que vou parar de chorar, mas está difícil gente,
o Chico sempre será MUITO inportante pra mim e para o BOM HUMOR.
Eri Johnson, ator, pelo Twitter
Chico Anysio era um dos maiores
artistas do audiovisual. Ele soube fazer com maestria e leveza a transição do
rádio para a televisão.
Sérgio Cabral, Governador do Rio
de Janeiro, pelo Twitter
Sinto aquele silêncio apertado.
Nosso agradecimento aqui a você, mestre Chico, por tudo. Descanse em paz. Ao
amigo Bruno, aos familiares e amigos, meu sincero sentimento.
Fabio Assunção, ator, no Facebook
Mais do que nunca RIP Mestre
Chico Anysio! Meu personagem favorito é Painho!! Amo pra sempre!!
Astrid Fontenelle, apresentadora,
pelo Twitter
Grande mestre, multi-artista de
talento inigualável... Sentimentos à família do inesquecível Chico Anysio.
Cássio Reis, ator, pelo Twitter
Chico Anysio sabia utilizar como
poucos uma virtude: ele sabia ouvir. Prestava atenção nas pessoas simples. E
assim criou seus personagens.
Britto Jr., apresentador, pelo
Twitter
O Brasil perdeu hoje um dos mais
completos humoristas e artistas da nossa história recente. Ao longo da sua
carreira, Chico Anysio criou e protagonizou personagens brilhantes, que
encantaram e divertiram gerações de brasileiros. Lamento profundamente a sua
morte e, em nome de SP, me solidarizo com sua família, parentes e amigos.
Gilberto Kassab, prefeito de São
Paulo, pelo Twitter
Chico Anysio. Ai Deus... Cuide
dele, com muito amor. Amém.
Luiza Possi, cantora, pelo
Twitter
Chico Anysio está no inconsciente
da maioria dos brasileiros da melhor forma possível: com alegria!!!
Oscar Filho, humorista, pelo
Twitter
Meus sentimentos à família do
querido Chico Anysio. Meu coração nesse momento não consegue expressar com
palavras o tamanho da minha dor!
Susana Vieira, atriz, pelo
Twitter
Ele fez a gente acreditar que
cada personagem que ele criou existia! Obrigada, Chico, pela sua obra, pelas
risadas e pela inspiração! Te amo.
Fernanda souza, atriz, pelo Twitter
Triste pelo Chico... Trabalhei
com ele já e tenho profunda admiração por ele e carinho pelo Bruno...
Luana Piovani, atriz, pelo
Twitter
O gênio agora descansa.
João Gordo, músico, pelo Twitter
O mestre do humor descansou! Vai
em Paz!
Jonatas Faro, ator, pelo Twitter
Chico Anysio, Bento Carneiro,
Bozó, Alberto Roberto, Coalhada, Haroldo, Painho, Nazareno. Sentiremos falta de
todos voces. Valeu Chico!
Felipe Andreoli, humorista, pelo
Twitter
Minha admiração e respeito por
Chico Anísio. Deixo meu carinho ao amigo Bruno Mazzeo e toda a sua familia. Sem
dúvida o céu está mais divertido.
Luciano Huck, apresentador, pelo
Twitter
Triste com a morte do mestre
Chico Anísio com quem fiz o meu primeiro trabalho na tv, padrinho do Cócegas e
gênio máximo da comédia!
Ingrid Guimarães, atriz, pelo
Twitter
Chico Anysio, mestre de todos nós
humoristas, um cara insubstituível.
Beto Silva, integrante do Casseta
& Planeta, pelo Twitter
FONTE: UOL
domingo, 11 de março de 2012
Lei Maria da Penha
Benedito Calheiros Bomfim
As mulheres brasileiras têm amplos direitos e garantias assegurados na Constituição, em leis, Tratados e Convenções internacionais assinados pelo nosso governo. Gozam, formalmente, nos códigos, de uma das mais modernas legislações de proteção do mundo.
Não obstante, os índices de agressões e violências no âmbito doméstico e familiar ainda são dos mais altos nas Américas e na Europa.
Pressionado pela comoção e repercussão causada pelo atentado a uma mulher que, espancada e alvejada a tiros pelo marido, ficou para paraplégica, o Presidente da República enviou ao Congresso um Projeto que, convertido na Lei 11.240, de 2006, passou a ser chamada Lei Maria da Penha, nome da vítima do brutal atentado. Essa lei cria mecanismos para impedir a violência doméstica e familiar contra a mulher, institui Juizados para esse fim, altera o processo penal, o Código Penal e a Lei de Execução Penal, com o objetivo de tornar crime as agressões e lesões contra a mulher. Outra Lei (12.413, de 12/5/2011) permite a decretação de prisão preventiva do agressor “se o crime envolver violência doméstica contra mulher, criança, adolescente, idoso enfermo, ou pessoa com deficiência, para garantir a execução de medidas protetivas de urgência”.
A Lei Maria da Penha assegura à mulher todos os direitos fundamentais da pessoa humana, garantindo-lhe as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física, mental e aperfeiçoar-se moral, intelectual e socialmente. Declara que o Poder Público porá em prática medidas na esfera domiciliar e familiar a fim de resguardá-la de toda forma de negligência, discriminação, exploração, crueldade e opressão. Para tanto, considera violência contra a mulher qualquer ação que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico. Autoriza o juiz a ordenar a saída de casa do marido, namorado ou companheiro agressor, bem como, no caso de a vítima ter emprego, o pagamento do salário, se determinado o afastamento da mulher da pessoa do agressor, hipótese que pode implicar suspensão do contrato de trabalho.
Não obstante todas essas numerosas garantias legais, as mulheres ainda continuam discriminadas: recebem salário inferior ao do homem pelo mesmo trabalho; são preteridas em postos executivos e cargos de chefia; são vítimas de agressões e abusos sexuais também fora do âmbito doméstica; são alvo de violências, estupros e assassinatos passionais; suportam maiores encargos no lar, ainda que trabalhem fora; sofrem preconceito; sua relação social no casamento é vista de forma diferente da do marido. E isso, apesar de, no Brasil, a população feminina já ser maior do que a masculina, e verem elas reduzida a discriminação e competirem com os homens no mercado de trabalho.
As mulheres, no Brasil, obtiveram importantes avanços, como mostra a histórica eleição - até então impensável -, da primeira Presidenta do país, o que é motivo de orgulho para todos e todas que viveram para testemunhar esse acontecimento. Mesmo assim permanecem parte do preconceito e da discriminação, produtos de uma tradicional e obscurantista cultura, de uma herança machista e patriarcal.
Veja-se, por exemplo, o casamento que, conquanto tenha sofrido grande transformação e no qual a mulher não é mais tratada como propriedade do marido, objeto de cama e mesa, destinada unicamente à procriação, educação dos filhos e aos afazeres domésticos, e que hoje, quando se formalizado, dada a independência e a emancipação econômica da mulher, dispensa o consentimento dos pais.
O matrimônio, contudo, continua mais vantajoso para o homem, que por mais que compartilhe as tarefas caseiras e familiares, não o faz em pé de igualdade com a companheira. O homem, por natureza, parece ter o sexo no seu DNA. Na relação amorosa, em sua maioria, depois dos primeiros anos da união conjugal, passa a ter caso com outra mulher, nem sempre mais bonita e melhor que a sua. A infidelidade masculina é socialmente tolerada, às vezes até pela própria esposa, enquanto a desta, mais rara, é considerada traição imperdoável, causadora - como frequentemente mostram jornais e televisão -, de assassinato, ou tentativa de morte da esposa adúltera, os chamados crimes passionais. Isso ocorre, também, entre namorados, companheiros e companheiras, nas uniões sem casamento formal.
É comum e até natural que, com o passar do tempo, a relação amorosa que levou a mulher e o homem a se casar, o companheiro e a companheira a se unir, o interesse sexual, o deseja de um pelo outro diminua ou desapareça, com a rotina diária. Nesse caso e como hoje é o amor que faz duas pessoas de sexo diferente se unirem, e não mais, como antigamente, época em que o pai escolhia o marido da filha e esta não tinha emprego, independência econômica, e, por não existir ainda a pílula anticoncepcional, a relação sexual gerava gravidez, a solução, sempre vez que o amor acaba, é a separação do casal, tão facilitada pelos meios legais. Existindo filhos, devem os ex-conjuges, marido e mulher já separados, se esforçarem para manter uma relação de amizade, a fim de compartilharem da guarda e da educação das crianças. E depois tentarem outra relação amorosa, constituírem nova família.
Com as oportunidades proporcionadas pela internet, o uso disseminado das redes sociais, milhares de mulheres cometem traição, infidelidade virtual. A maioria delas se entrega a aventuras extraconjugais irrealizáveis, ao desejo sexual não transformado em realidade. Não são poucas, contudo, aquelas que passam da traição online para sua materialização, para o plano real.
Nos dias atuais, dada a liberdade de costumes, a emancipação econômica e social da mulher, a ascensão cultural desta, o número de uniões sem casamento é muito maior do que o de casados formalmente, e tudo visto com naturalidade, inclusive por familiares.
Benedito Calheiros Bomfim é membro da Academia Nacional de Direito do Trabalho.
FONTE: OAB/RJ
Artigo publicado em 9 de março de 2012.
Marcadores:
Juizados de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher,
LEI MARIA DA PENHA,
LEI MARIA DA PENHA - COMENTÁRIOS,
Lei n.º 11.340/06 - LEI MARIA DA PENHA,
mulheres,
violência contra a mulher
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Leia a íntegra da sentença que
condenou Lindemberg Alves
Depois de quatro dias de
julgamento, a juíza Milena Dias proferiu, nesta quinta-feira (16), a sentença
do réu Lindemberg Alves, 25. O motoboy foi condenado pela morte da ex-namorada
Eloá Pimentel, 15, e por outros 11 crimes. A jovem foi mantida refém por cerca
de cem horas em outubro de 2008 em seu apartamento, localizado em um conjunto
habitacional de Santo André (ABC paulista).
Leia a íntegra:
Leia a íntegra:
Vistos.
Dispensado o relatório, nos
termos do artigo 492, do Código de Processo Penal.
Submetido a julgamento nesta
data, o Colendo Conselho de Sentença
reconheceu que o réu LINDEMBERG ALVES FERNANDES praticou o crime de homicídio qualificado pelo motivo torpe e recurso que dificultou a
defesa da vítima (vítima Eloá Cristina Pimentel da Silva), o crime de homicídio
tentado qualificado pelo motivo torpe e
recurso que dificultou a defesa da vítima ( vítima Nayara Rodrigues da Silva),
o crime de homicídio qualificado tentado ( vítima Atos Antonio
Valeriano), cinco crimes de cárcere privado
e quatro crimes de disparo de arma de fogo.
Passo a dosar a pena:
Deve o Magistrado, atrelado a
regras de majoração da pena, aumentá-la até o montante que considerar correto,
tendo em vista as circunstâncias peculiares de cada caso, desde que o faça
fundamentadamente e dentro dos parâmetros legais.
A sociedade, atualmente, espera
que o juiz se liberte do fetichismo da pena mínima, de modo a ajustar o quantum
da sanção e a sua modalidade de acordo com a culpabilidade, os antecedentes, a
conduta social, a personalidade do agente, os motivos, as circunstâncias do
crime, bem como o comportamento da vítima.
Pois bem.
Todas as condutas incriminadas,
atribuídas ao réu e reconhecidas pelo Egrégio Conselho de Sentença incidem no
mesmo juízo de reprovabilidade. Portanto, impõe-se uma única apreciação sobre
as circunstâncias judiciais enunciadas no artigo 59 do Código Penal,
evitando-se assim, repetições desnecessárias.
As circunstâncias judiciais do
artigo 59, do Código Penal, não são totalmente favoráveis ao acusado, razão
pela qual a pena base de cada crime será fixada acima do mínimo legal.
Com efeito, a personalidade e
conduta social apresentadas pelo acusado, bem como as circunstâncias e
consequências dos crimes demonstram conduta que extrapola o dolo normal
previsto nos tipos penais, diferenciando-se dos demais casos similares, o que
reclama reação severa, proporcional e seguramente eficaz. (STF - RT 741/534).
Esta aferição encontra
guarida no princípio da individualização da pena e deve ser realizada em cada
caso concreto (CF/ 88, art.5º XLVI).
Os crimes praticados atingiram o
grau máximo de censurabilidade que a violação da lei penal pode atingir.
Na hipótese vertente, as
circunstâncias delineadas nos autos demonstram que o réu agiu com frieza,
premeditadamente, em razão de orgulho e egoísmo, sob a premissa de que Eloá não
poderia, por vontade própria, terminar o relacionamento amoroso. Tal estado de
espírito do agente constituiu a força que determinou a sua ação.
E, nesse
contexto, envolveu não apenas tal vítima, mas também Nayara, Iago e Vitor,
amigos que a acompanhavam na data em que o acusado invadiu o apartamento.
Durante o cárcere privado, as vítimas, desarmadas e indefesas,permaneceram
subjugadas pelo agente, sob intensa pressão psicológica, a par de agressões
físicas contra todos perpetradas.
Durante a barbárie, o réu deu-se ao
trabalho de, por telefone, dar entrevistas a apresentadores de televisão,
reforçando, assim, seu comportamento audacioso e frieza assustadores.
Lindenberg Alves Fernandes chegou a
pendurar uma camiseta de time de futebol na janela da residência invadida.
Não posso olvidar,
nesse contexto, as consequências no tocante aos familiares das vítimas.
Durante o
cárcere privado, a angústia dos familiares, mormente de Eloá e Nayara, que por
mais tempo permaneceram subjugadas pelo réu, que demonstrava constante
oscilação emocional, agressividade, atingiu patamar insuportável diante da
iminência de morte, tendo por ápice os disparos que foram a causa da morte de
Eloá e das lesões sofridas por Nayara.
E depois
dos fatos, as vítimas Nayara, Victor e
Yago sofreram alterações nas
atividades rotineiras, além de terem de se submeter a tratamentos psicológicos
e psiquiátricos.
Ainda, além de eliminar a vida de
uma jovem de 15 anos de idadee de quase
matar Nayara e o bravo policial militar
Atos Antonio Valeriano, o réu causou enorme transtorno para a comunidade e para
o próprio Estado, que mobilizou grande aparato policial para tentar
demovê-lo de sua bárbara e cruel intenção
criminosa.
Os crimes tiveram enorme
repercussão social e causaram grande comoção na população, estarrecida pelos
dias de horror e pânico que o réu propiciou às indefesas vítimas.
Em suma, a culpabilidade, a
personalidade do réu, seus egoísticos e abjetos motivos, as circunstâncias e
nefastas consequências do crime impõem a esta a Julgadora, para a correta
reprovação e prevenção de outros crimes, a fixação da pena, na primeira fase de
aplicação, em seu patamar máximo cominada para cada delito, ou seja, 30 anos de
reclusão para o crime de homicídio qualificado praticado contra Eloá; 30 anos
para o crime de tentativa de homicídio qualificado praticado contra Nayara; 30
anos para o crime de tentativa de homicídio perpetrado contra a vítima Atos; 05
anos de reclusão para cada crime de cárcere privado (contra Iago, Vitor, Eloá e
Nayara, por duas vezes) e de 04 anos de reclusão e pagamento de 360 (trezentos
e sessenta dias multa) para cada crime
de disparo de arma de fogo (quatro vezes).
Na segunda fase, não incidem
agravantes. Presente a atenuante da confissão espontânea em relação aos crimes de disparo de arma de fogo descritos
nas nona e décima séries e cárcere
privado da vítima Eloá, reduzo as reprimendas em 1/6, o que perfaz 04 (quatro) anos e 02 (dois) meses para o
crime de cárcere privado e 03 anos e 04
(quatro) meses de reclusão e 300 dias multa, para cada um dos crimes de disparo
de arma de fogo.
Não incidem causas de aumento de pena.
Reconhecida a tentativa de
homicídio contra Nayara, reduzo a pena no patamar mínimo de 1/3, tendo em vista
o laudo pericial juntado a fls. 678/679 e necessidade de futura intervenção
cirúrgica para reconstrução dos ossos da face, concretizando-a em 20 (vinte)
anos de reclusão.
Em relação à tentativa de
homicídio contra o policial militar Atos, aplico a redução máxima de 2/3, uma
vez que a vítima não sofreu lesão corporal, o que perfaz 10 ( dez) anos de
reclusão.
Os crimes foram praticados nos
moldes do artigo 69, do Código Penal.
Constatado que o réu agiu com desígnios autônomos, almejando dolosamente a produção de todos os
resultados, voltados individual e
autonomamente contra cada vítima, afasta-se
qualquer das figuras aglutinadoras das penas (artigos 70 e 71 do Código Penal) e reconhecendo-se o concurso
material de crimes, previsto no artigo 69, do Código Penal.
Somadas, as penas totalizam 98 anos e 10 meses de reclusão e
pagamento de 1320 dias – multa, o unitário no mínimo legal.
Para o início de cumprimento da
pena privativa de liberdade, fixo o regime inicialmente fechado. Incidem os
artigos 33, §2º, “a”, do Código Penal, artigos 1º, inciso I, e 2º, §1º, ambos da Lei nº 8.072/90, em
relação aos crimes dolosos contra a vida.
É, ademais, o único adequado à
consecução das finalidades da sanção penal, consideradas as circunstâncias em
que os crimes foram praticados, que bem demonstraram ousadia, periculosidade do
agente e personalidade inteiramente avessa aos preceitos que presidem a
convivência social, bem como as consequências de suas condutas.
As ações, nos moldes em que
reconhecidas pelo Conselho de Sentença, denotam personalidade agressiva,
menosprezo pela integridade corporal, psicológica e pela própria vida das
vítimas, o que exige pronta resposta penal. Como fundamentado na primeira etapa
da dosimetria da pena, as circunstâncias judiciais são totalmente desfavoráveis
ao réu (§3º do artigo 33, do Código Penal).
E por tais razões não é possível
a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direito ou a
concessão de sursis, diante do quantum fixado e da ausência dos requisitos
subjetivos previstos nos incisos III, do art. 44 e II, do art. 77, ambos do
Código Penal.
Saliento, ainda, a vedação
prevista no artigo 69, parágrafo primeiro, do Código Penal, bem como que as
benesses implicariam incentivo à reiteração das condutas e impunidade.
Em face da decisão resultante da vontade soberana dos Senhores Jurados,
julgo PROCEDENTE a pretensão punitiva do
Estado, para condenar LINDEMBERG ALVES FERNANDES, qualificado nos
autos, como incurso nas sanções do artigo 121, parágrafo 2º, incisos I e IV
(vítima Eloá), artigo 121, parágrafo 2º, incisos I e IV, c.c. artigo 14, inciso
II (vítima Nayara), artigo 121, parágrafo 2º, inciso V, c.c. artigo 14, inciso
II, (vítima Atos), artigo 148, parágrafo 1º, inciso IV, por cinco vezes,
(vítimas Eloá, Victor, Iago e Nayara, esta por duas vezes), todos do Código Penal, e artigo 15,
caput, da Lei nº 10.826/03, por quatro
vezes, à pena de 98 (anos) e 10 (meses) de reclusão e pagamento de 1320
dias-multa, no valor unitário mínimo legal.
O réu foi preso em flagrante
encontrando-se detido até então. Nenhum sentido faria, pois, que após a
condenação, viesse a ser solto, sobretudo quando os motivos que ensejaram o
decreto da custódia cautelar (CPP,
art.312), foram ainda mais reforçados pelo Tribunal do Júri, cuja decisão é
soberana.
Denego a ele, assim, o direito de
apelar em liberdade.
Recomende-se o réu na prisão em que se
encontra recolhido.
Após o trânsito em julgado,
lance-se o nome do réu no rol de culpados.
No mais, tendo em vista a
exibição em sessão plenária de colete à prova de balas, fato consignado em ata, artefato sujeito à regulamentação legal e específica e
em não sendo exibida documentação relativa a tal instrumento, remeta-se cópia da ata da sessão plenária ao Ministério
Público para ciência quanto ao ocorrido.
Ainda, também durante os
debates, na presença de todas as partes
e do público, a Defensora do réu Dra. Ana Lúcia Assad, de forma jocosa, irônica e
desrespeitosa, aconselhou um membro do
Poder Judiciário a “ voltar a estudar”, fato exaustivamente divulgado pelos
meios de comunicação.
Nestes termos, considerando a
prática, em tese, de crime contra a
honra e o disposto no parágrafo único do artigo 145, do Código Penal, determino a extração de
cópia da presente decisão e remessa ao Ministério Público local, para
providências eventualmente cabíveis à espécie.
Decisão publicada hoje, neste Plenário do Tribunal do Júri desta cidade,
às 19: 52 horas, saindo os presentes
intimados.
Custas na forma da lei.
Registre-se, cumpra-se e
comunique-se.
Santo André, 16 de fevereiro de
2012.
MILENA DIAS
Juíza de Direito
FONTE: UOL, em São Paulo
Publicado em 16.02.2012
Publicado em 16.02.2012
Marcadores:
Caso ELOÁ PIMENTEL,
condenação,
condenado,
crime,
crime de homicídio,
homicídio,
MPE,
sentença
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