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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Especialista critica foco no autoexame para prevenir câncer de mama no país



Secretário-geral da Sociedade Brasileira de Mastologia e pesquisador do Instituto Fernandes Figueira, da Fiocruz, o médico Roberto Vieira critica o foco no autoexame para prevenir mortes por câncer de mama no país. Para ele, é preciso aumentar o investimento no rastreamento por imagem das mamas, capaz de detectar a doença ainda na fase inicial.



"No Brasil, normalmente quem faz o diagnóstico de câncer de mama é a própria mulher. É ela que, apalpando, sente o nódulo e procura o médico. Mas isso não é bom. O bom é quando o país tem um 'screening', um rastreio populacional para a detecção precoce do câncer de mama", disse ele em entrevista à Folha na semana passada, quando se comemorava a semana nacional de incentivo à saúde mamária.



De acordo com Ribeiro, cerca de 60% dos casos de câncer de mama do país são detectados já em estágio avançado, quando o tratamento é mais complexo e o prognóstico, pior. O Inca estima que, em 2010, serão registrados 49,2 mil novos casos da doença no Brasil. Cerca de 10 mil mulheres devem morrer em consequência da doença.



"É importantíssimo que a mulher vá ao médico para que ele possa apalpar a mama e, se for o caso, fazer um exame de imagem. Não adianta jogar isso em cima da paciente, porque às vezes ela não valoriza uma alteração que pode ser um tumor", afirmou Vieira, lembrando que leva cerca de dez anos para que um nódulo atinja o tamanho de 1 cm. "Infelizmente, já foi comprovado em grandes trabalho que o autoexame não muda a mortalidade no país."



Ele reconhece, porém, que, na impossibilidade de procurar o médico com regularidade, o autoexame pode cumprir um papel importante. "Num local em que a pessoa tem que pegar uma canoa e andar cinco horas pelo rio para chegar a um médico, é preciso ter autoexame. A paciente precisa apalpar a mama para conhecê-la."



O especialista disse também que a Sociedade Brasileira de Mastologia continua recomendando a realização periódica de mamografias a partir dos 40 anos de idade, apesar de estudos que questionam a validade da prática. No ano passado, a Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos passou a defender mamografias bianuais apenas para mulheres entre 50 e 74 anos. A avaliação foi de que os danos causados eram maiores do que os benefícios, já que apenas poucos casos eram diagnosticados, enquanto um número elevado de mulheres era submetida à radiação e, em alguns casos, recebia resultados falsos positivos que resultavam em tratamentos desnecessários.



"Aquilo foi uma posição econômica. É claro que fazer screening mamográfico não é barato. Você faz muitas mamografias para às vezes ter um único diagnóstico. Mas, se você comparar com o gasto com quimioterapia, com radioterapia, com cirurgia para metástase cerebral, vai ver que é muito mais barato investir na base, na mamografia", afirmou. "Quando o tumor é detectado em estágio inicial, às vezes se cura só com a cirurgia, sem precisar de tanta agressividade terapêutica."



Vieira destacou também a importância de aumentar a conscientização sobre os fatores de risco para a doença, como o sedentarismo, a má alimentação, o tabagismo e o estresse. O risco genético hereditário também é importante: quando há vários casos na mesma família, a recomendação é que os exames sejam iniciados mais cedo. O uso de pílulas anticoncepcionais e a reposição hormonal também costumam ser contraindicados nesses casos, segundo o médico.

 
 
FONTE: FOLHA ONLINE / DENISE MENCHEN - DO RIO

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Glândula do sistema imunológico abriga células de tumor



As células do câncer podem encontrar abrigo no próprio sistema imunológico. O dado é de uma pesquisa que pode ajudar a explicar por que os tumores voltam após ciclos de quimioterapia.



Experimentos em ratos mostraram que o estresse da quimioterapia leva algumas células do tumor ao timo, glândula que produz células de defesa.



A glândula envolve as células tumorais em agentes protetores, segundo pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology, nos EUA. O estudo sugere que os tratamentos contra o câncer devem atacar esse "esconderijo".



"Terapias de câncer bem-sucedidas precisam ter um componente que mate as células do tumor e também que bloqueie sinais que favorecem sua sobrevivência", afirmou o pesquisador Michael Hemann.



 
FONTE: FOLHA ONLINE / DA REUTERS

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Anvisa suspende fitoterápicos que prometem curar câncer

 
Medicamentos não tinham registro para serem vendidos.

Site de fabricante diz que graviola é '10 mil vezes melhor' que quimioterapia.

 
 
 
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ordenou a suspensão das propagandas de um kit fitoterápico e de uma pomada anunciados como cura para o câncer.

Segundo resolução publicada no Diário Oficial desta quinta-feira (17), os medicamentos não tinham registro e eram vendidos como "indicações terapêuticas para tratamento de doenças de alta complexidade como câncer, Aids e doenças crônicas."

'Ideia errada'

Oferecido na internet por R$ 135 por uma instituição chamada "Grupo do Bem", o "Kit Aveloz" é um conjunto de fitoterápicos que contém copaíba, graviola, aveloz e ervas. Em seu site, o grupo desestimula as terapias tradicionais, que têm eficácia comprovada pela medicina. "A Graviola é 10.000 vezes mais forte do que quimioterapia por drogas, e sem efeitos colaterais", diz trecho de anúncio.

No mesmo site, a instituição vende por R$ 50 a "Pomada Aveloz", oferecida como cura para feridas geradas pelo câncer. Segundo nota da Anvisa, "as propagandas divulgam a errada ideia de que são indicados para fins terapêuticos."

O G1 entrou em contato com um representante do grupo que lamentou, por e-mail, a resolução da Anvisa e informou que o grupo suspenderá a venda do kit. "Nas feiras do Nordeste é vendida a garrafada e o extrato da planta livremente. É de uso popular", disse.

Artrite e reumatismo

Por falta de registro, a Anvisa também anunciou a proibição das propagandas do fitoterápico "Ervas Life Harp 100", vendido pela empresa "Deca Natural Life" como tratamento para "artrite, artrose, bursite, gota, reumatismo, dor na coluna e dores crônicas".

O G1 tentou entrar em contato com a empresa, mas não obteve retorno.




 
FONTE: G1
 
Notícia divulgada em 17/06/2010 14h25