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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Mulher receberá indenização do ex-marido por abusos sexuais desde a infância e segregação social


A 8ª Câmara Cível do TJRS reconheceu nesta quinta-feira (14/7) o direito de uma mulher, que cresceu sendo submetida a abusos sexuais, de receber indenização correspondente a 300 salários mínimos nacionais. 

Ela casou com o agressor em 2005, aos 25 anos de idade e ele, com mais de 70 anos.  O homem deverá pagar alimentos correspondentes a 40% dos seus ganhos líquidos.

A Corte gaúcha manteve a sentença que também decretou o divórcio do casal. 

O cidadão, ex-militar reformado e hoje com 77 anos, recebeu a menina da sua mãe em troca do fornecimento de gêneros alimentícios quando ela tinha seis anos. Aos oito, passou a obrigar a criança a satisfazê-lo sexualmente e a agredi-la fisicamente. Mantinha a relação em segredo perante a sociedade, tratando-a como filha.

Para o relator, Desembargador Luiz Felipe Brasil Santos, ficou provado que a autora da ação permaneceu 12 anos dentro do pátio ou da casa, nunca saindo para a rua porque o réu não deixava – podia sair da casa, mas não do pátio. Observa o julgador que o muro do terreno é alto e, quando o cidadão saía, a deixava chaveada dentro de casa.

Após notícia dos abusos, em 2006, o Ministério Público ajuizou ação para que a jovem fosse submetida à avaliação psiquiátrica. 

O magistrado cita ainda relatório médico que descreve a dificuldade da autora da ação em denunciar a situação: não consegue denunciá-lo em uma delegacia de polícia pois sente-se paralisada pelo medo e traumas vivenciados – soma-se a isto o fato de apresentar limitação intelectual para efetivar uma denúncia criminal.

O laudo médico registra a necessidade de apoio para a mulher recomeçar a vida que lhe foi roubada quando entregue nas mãos do agressor.

Visita domiciliar do Programa de Atenção Integral à Família relatou, em agosto de 2006, que não foi possível a entrada na casa (…) de alvenaria, com muro, grades com arame farpado, e portões fechados com correntes e cadeados.

Continua o relatório: residência com pátio e cachorro na corrente (….) a jovem atendeu a equipe, no portão, passando para o lado de dentro da casa, demonstrando medo, desconfiança, ressistência em dialogar e referindo que não precisa de ajuda. 

Durante a entrevista, a mesma permaneceu na calçada em frente à moradia, atendendo por uma pequena janela. A equipe percebeu que a jovem apresenta dificuldades na área da saúde mental, além do quadro de eplepsia (…). Foi possível perceber também que se mantém fechada (…) sob determinação do marido.

Quanto ao valor da condenação, observou o Desembargador Luiz Felipe, a intensidade do dano e sequelas emocionais, justificam a quantia, que, no entanto, são insuficientes para recompor as lesões psíquicas ou reparar os traumas e sofrimento vivido pela autora desde criança.

Os Desembargadores Alzir Felippe Schmitz e Ricardo Moreira Lins Pastl acompanharam o voto do relator.



FONTE: BLOG LIVRARIA DO ADVOGADO / TJRS

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Vítimas belgas de abusos apresentam ação contra a Santa Sé


Cerca de 80 supostas vítimas de abusos sexuais cometidos por religiosos na Bélgica apresentaram uma ação judicial contra a Santa Sé e contra os mais altos membros da Igreja Católica de seu país, anunciaram nesta quarta-feira seus advogados.

Este "grupo de vítimas de abusos sexuais cometidos na Igreja quer que a Santa Sé, os bispos belgas e os superiores religiosos compareçam diante do tribunal de primeira instância de Gand (oeste)", explicou durante uma entrevista coletiva à imprensa um dos advogados, Walter Van Steenbrugge.

A Santa Sé é "a administração central da Igreja Católica Romana" e "a encarnação do papado", explicou Van Steenbrugge.

O Papa "nomeia os bispos e a autoridade sobre eles, o que o torna responsável por seus erros.

Ele também pode ser considerado responsável por seus próprios erros: ele não quis intervir pessoalmente para dar instruções, o que permitiu que os abusos continuassem e se agravassem", prosseguiu.

O Tribunal de Gand deve fixar em setembro um calendário de audiências, acrescentou, explicando que o processo poderá levar anos.

Depois de Estados Unidos, Irlanda e Alemanha, a Igreja Católica belga foi sacudida por escândalos de pedofilia.

As queixas se acumularam contra a Igreja após as confissões do bispo de Bruges, Roger Vangheluwe, que deixou o posto depois de ter admitido atos de pedofilia.




FONTE: UOL / AFP / Em Gante (Bélgica)