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quinta-feira, 24 de março de 2011

É valida notificação extrajudicial de mora expedida por cartório de comarca diferente da do devedor

Notificação extrajudicial para constituição de mora pode ser emitida por Cartório de Títulos e Documentos de comarca que não seja a de domicílio do devedor e entregue a ele por via postal com aviso de recebimento. 

Para a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), essa notificação cumpre os requisitos necessários para possibilitar a propositura de ação de busca e apreensão.

A decisão atende pedido do Banco Panamericano, que ajuizou ação de busca e apreensão contra um cliente que não pagou nenhuma parcela do empréstimo de R$ 10,4 mil. A primeira venceu em agosto de 2009. O juízo de primeira instância negou o pedido e extinguiu o processo por não aceitar notificação expedida por cartório de comarca distinta da de residência do devedor. Essa decisão foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

O ministro Luis Felipe Salomão, relator do recurso do banco, afirmou que está consolidado no STJ o entendimento de que a mora decorre automaticamente do vencimento do prazo para pagamento. Por isso, não cabe qualquer inquirição sobre o montante ou origem da dívida para comprovar a configuração da mora. Também está pacificado na Corte que, para a constituição em mora, basta que a notificação extrajudicial seja entregue no endereço do devedor, mesmo que não seja pessoalmente.

Quanto à distinção entre as comarcas do devedor e do cartório que expediu a notificação, Salomão ressaltou que a Terceira Turma do STJ já decidiu que o tabelião não pode praticar atos fora do município para o qual recebeu delegação, com base nos artigos 8º e 9º da Lei n. 8.935/1994 (Lei dos Cartórios). Contudo, ele ponderou que essa tese não deve ser aplicada ao caso em analise.

O relator verificou que os dispositivos referem-se aos tabelionatos de notas e aos registros de imóveis e civis das pessoas naturais, que só podem atuar dentro das circunscrições geográficas para as quais receberam delegação. Contudo, a norma não restringiu a atuação dos cartórios de títulos e documentos. “Não cabe a esta Corte interpretar a norma de forma mais ampla, limitando a atuação destes cartórios”, afirmou Salomão. Além disso, ele destacou que não há qualquer deslocamento do oficial do cartório à outra comarca.

Trecho do voto do relator ressalta que, de fato, não existe norma no âmbito federal relativa ao limite territorial para prática de atos registrais, especialmente no tocante aos Ofícios de Títulos e Documentos. Por essa razão, é possível a notificação mediante o requerimento de quem apresenta o título, já que ele tem liberdade de escolha nesses casos. Há, ainda, o fato de que o princípio da territorialidade previsto no artigo 130 da Lei n. 6.015/1973 não alcança os atos de notificação extrajudicial.

Todos os ministros da Quarta Turma seguiram o voto do relator para conhecer em parte do recurso e lhe dar provimento nessa parte. A decisão cassa o acórdão e a sentença e determina o retorno dos autos à primeira instância para novo julgamento. 


FONTE: STJ

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

PanAmericano confirma rombo adicional de R$ 1,3 bi no balanço


O Banco PanAmericano (BPNM4), que teve seu controle comprado pelo BTG Pactual no início desta semana, confirmou nesta quinta-feira ter recebido aporte adicional de R$ 1,3 bilhão.
Os recursos, segundo o banco, foram obtidos por meio de operação financeira contratada entre o Grupo Silvio Santos, que até domingo era o acionista majoritário da instituição, e o Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Ainda conforme o PanAmericano, "esse montante é decorrente do ajuste necessário verificado até o momento em função das apurações das inconsistências contábeis ainda em andamento”.
Ao mesmo tempo, o Panamericano assegurou que "não houve e nem haverá concessão de auxílio pelo FGC diretamente" ao banco.
Em esclarecimentos prestados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o PanAmericano disse que prevê concluir trabalhos sobre as condições reais do banco até 15 de fevereiro, prazo máximo para divulgação do atrasado demonstrativo do resultado do terceiro trimestre de 2010.
Em novembro, quando foram divulgados problemas na contabilidade do banco, o Grupo Silvio Santos colocou R$ 2,5 bilhões obtidos junto ao FGC no PanAmericano.
Com o aporte adicional revelado nesta quinta-feira, o total injetado na instituição pelo Grupo Silvio Santos, ainda quando estava na condição de controlador do banco e via fundo garantidor, chega a R$ 3,8 bilhões.
Na noite de segunda-feira, o BTG Pactual anunciou a aquisição do controle do PanAmericano por R$ 450 milhões, em uma operação que marca a entrada do conglomerado financeiro de André Esteves no varejo bancário.
O BTG acertou a compra da totalidade da participação do Grupo Silvio Santos no PanAmericano, assumindo 51% das ações ordinárias (com direito a voto) do banco e quase 22% das preferenciais, representativas de 37,6% do capital total.
A Caixa Econômica Federal segue com 49% das ações com direito a voto do PanAmericano e 20,7% das preferenciais.
A compra do Panamericano pelo BTG precisa de aprovação do Banco Central, que identificou que a instituição financeira de médio porte mantinha em seu balanço como ativos carteiras de crédito que haviam sido vendidas a outros bancos.
Também houve duplicação de registros de venda de carteiras, inflando o resultado do PanAmericano.
As ações do Panamericano terminaram a quinta-feira em queda de quase 10%, cotadas a R$ 5,95. Nos dois pregões anteriores, contudo, os papéis tinham acumulado valorização de 55%, com investidores reagindo positivamente à venda do banco para o BTG.


FONTE: UOL - Reportagem de Cesar Bianconi