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sábado, 11 de dezembro de 2010

Até 30 mil PCs foram usados para derrubar sites da PayPal, Visa e MasterCard


Os representantes do grupo anônimo Operação Payback assumiram a autoria pelos ataques direcionados aos dois portais.



O site do PayPal foi atingido na noite de ontem (8) pelo ataque de duas botnets, relacionadas à ação de ativistas online contra empresas que bloquearam seus serviços ao Wikileaks.

“Eles recrutaram voluntários que colocaram à disposição suas máquinas para lançar ataques de negação de serviço (DDoS). 

Máquinas infectadas também estão sendo utilizadas pelo grupo", disse o pesquisador de ameaças na web Sean Paul Correll, da empresa de segurança Panda Security.

"Hoje observamos que mais de 3 mil computadores nessa botnet voluntária foram utilizados, mas também temos conhecimento de outra com mais de 30 mil máquinas", comentou ele.

Durante a tarde de ontem, o website Paypal.com esteve for do ar por algumas horas. Entretanto, na manhã desta quinta-feira (9/12), o site já voltou a normalidade. 

"Ocorreram muitas tentativas de ataques DDoS ao site paypal.com durante essa semana", declarou o porta-voz Anuj Nayal. 

"Os ataques prejudicaram a velocidade do site por um curto período, mas não impactaram significativamente nos processos de pagamento”.

Esta não é a primeira vez que a empresa é vítima de ativistas pró-Wikileaks. 

No final da última semana, o blog da companhia já havia sido alvo de iniciativas semelhantes, o que derrubou a página por algumas horas.

Diferentemente da Visa e do MasterCard, o PayPal depende do funcionamento de seu site, já que os clientes necessitam dele para suas negociações. 

Outro serviço de pagamentos afetado foi o SecureCode da MasterCard, que ontem também apresentou problemas, segundo o porta-voz da empresa James Issokson.

"Tivemos alguns imprevistos operacionais que já foram solucionados", disse Issokson.

Acredita-se que os servidores do MasterCard podem ter recursos compartilhados com o sistema SecureCode. 

Em um comunicado da instituição, publicado no blog Securetrading, ela declarou que a falha foi resultado de um erro no servidor. 


FONTE: UOL /  Robert McMillan / Por IDG News Service
Publicada em 09 de dezembro de 2010 às 14h56

"O que nos une 

é o desejo de vingar 

o WikiLeaks", 

diz grupo que 

derrubou PayPal, 

Visa e Mastercard




Duas das mais poderosas companhias de cartão de crédito do mundo tiveram seus sites na internet derrubados esta semana -- e os responsáveis seriam pessoas que nunca se viram na vida, unidas apenas por "um pouco de conhecimento técnico e um desejo de vingar o Wikileaks".
A explicação é de um dos membros do grupo "Anonymous", que concordou em dar uma entrevista por email ao UOL Notícias na noite desta quinta-feira (09), após mais uma ação contra a companhia financeira PayPal, na onda da chamada "operação payback", que já derrubou sites da Visa e da Mastercard por terem restringido os recursos de ação do WikiLeaks.
"Somos um grande grupo com quase nenhuma conexão uns com os outros na vida real. Alguns de nós são advogados, alguns trabalham no McDonalds – há uma enorme variedade. A única coisa que temos em comum é um pouco de conhecimento técnico e um desejo de vingar o WikiLeaks", declarou o ativista, destacando seu apoio ao mega vazamento de documentos confidenciais coordenado pelo australiano Julian Assange.
A principal -- e, até agora, a única -- "arma" do grupo é o chamado DDoS, acrônimo em inglês para Distributed Denial of Service, que se baseia em uma tentativa de tornar os recursos de um sistema indisponíveis através de sobrecarga de requisições de acesso. Justamente por isso, eles são enfáticos para negar a alcunha "hackers".
"Hackear em geral envolve quebrar sistemas ou roubar informações – e nós não estamos fazendo isso até agora", argumenta. "Estamos derrubando os sites, não hackeando."
A fonte, que não quer divulgar seu nome real, também fez questão de destacar para a reportagem antes da entrevista que “não há representantes oficiais do Anonymous".

Acompanhe abaixo a conversa completa.

UOL Notícias: Em primeiro lugar, como você define o grupo “Anonymous” e suas ações? Qual sua conexão com o grupo?
Anonymous: Bem, o grupo é só isso mesmo: Anonymous. Somos um grande grupo com quase nenhuma conexão uns com os outros na vida real. Alguns de nós são advogados, alguns trabalham no McDonalds – há uma enorme variedade. A única coisa que temos em comum é um pouco de conhecimento técnico e um desejo de vingar o WikiLeaks. Minha conexão com o grupo? Eu não tenho um papel específico – no Anonynous, ninguém tem. Eu só participo.

UOL Notícias: Sabemos que não há uma liderança. Então como vocês operam?
Anonymous: Sim, não há liderança. Nós colaboramos principalmente no IRC (internet relay chat). Nos momentos de decisão, a maioria vence. 

UOL Notícias: DDoS é uma das suas táticas. Por que essa ação? Há outras?
Anonymous: Bem, DDoS nos permite saturar os sites e colocá-los offline temporariamente. Não temos realmente outras “táticas”, não. Tudo o que estamos interessados em fazer nesse momento é derrubar os sites, não roubar informação ou hackear mesmo.

UOL Notícias: Como vocês escolhem seus alvos?
Anonymous: Escolhemos alvos com base em como eles tentaram limitar o WikiLeaks e seus recursos. Por exemplo, miramos o PayPal porque ele congelou as doações ao WikiLeaks.

UOL Notícias: Por que mirar nos inimigos do WikiLeaks neste momento? Qual a ligação de vocês com Julian Assange?
Anonymous: Queremos nos vingar pelo WikiLeaks (e Assange, neste contexto). Nenhum de nós tem qualquer relação com Assange, não o conheço e nunca vou conhecer. Eu apenas aprecio o que ele está fazendo e dou apoio.

UOL Notícias: Vocês dizem que é incorreto usar o termo “hacker”. Por quê?
Anonymous: Sim, tecnicamente não somos hackers, apesar de as pessoas estarem se referindo a nós exatamente assim. Hackear em geral envolve quebrar sistemas ou roubar informações – e nós não estamos fazendo isso até agora. As companhias de cartão de crédito confirmaram que nenhuma informação de nenhuma conta foi vazada até agora. Estamos derrubando os sites, não hackeando.

UOL Notícias: Há brasileiros envolvidos na “operação payback”?
Anonymous: Tenho certeza que sim.

UOL Notícias: O grupo considera os ataques recentes como bem sucedidos?
Anonymous: Sim, nós consideramos que os ataques foram sucessos. Derrubamos os sites da Mastercard e da Visa de tal forma que mesmo as transações nas lojas não funcionarem – o que provavelmente tirou da Mastercard e da Visa uma receita significativa, já que estamos na temporada de compras de Natal. E nós diminuímos muito a velocidade do PayPal nos EUA, e mesmo derrubamos seu site em alguns países. PayPal desde então liberou o dinheiro da conta do WikiLeaks que tinha congelado, contudo não está aceitando novas doações, e por isso continua como alvo para nós.


FONTE: UOL / 
Thiago Chaves-Scarelli - 
Do UOL Notícias - Em São Paulo
Notícia divulgada em 10.12.2010