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sábado, 4 de junho de 2011

Rio aplica internação compulsória de jovens viciados em crack



A nova regulamentação da Prefeitura do Rio que determina a internação compulsória de crianças e adolescentes dependentes de drogas levou nesta sexta-feira à apreensão de 16 menores de idade.

Durante operação na cracolândia do Jacarezinho (zona norte) os menores foram submetidos a uma avaliação médica para que fosse verificado se eram dependentes químicos.

A regulamentação, publicada no último dia 30 no "Diário Oficial do Município" determina que menores apreendidos em cracolândias fiquem internados mesmo contra a sua vontade ou a de seus familiares. Eles só receberão alta quando que estiverem livres do vício.

Dos acolhidos, cinco crianças foram levadas para a Casa Viva, em Laranjeiras (zona sul), e 11 adolescentes para o CEADQ (Centro de Atendimento à Dependência Química), em Guaratiba (zona oeste).

A identificação dos menores foi passada para a Vara da Infância, da Juventude e do Idoso da Capital para a identificação dos pais ou responsáveis.

Em dois meses, esta foi a décima ação de retirada de população de rua realizada pela Secretaria Municipal de Assistência Social em parceria com as polícias, a quarta somente no Jacarezinho. Desde o dia 31 de março, 760 pessoas foram retiradas das ruas (591 adultos e 169 crianças e adolescentes).

Nesta quinta, o secretário municipal de Assistência Social, Rodrigo Bethlem, a juíza titular da Vara da Infância, da Juventude e do Idoso da Capital, Ivone Caetano, e a titular da Promotoria de Tutela Coletiva de Políticas Públicas do Ministério Público estadual, Ana Cristina Ruth Macedo, falaram para a imprensa sobre a internação compulsória.

"O MP apoia a abordagem de toda criança e adolescente de rua e não vislumbra irregularidades no que diz respeito a internações em instituições especializadas. Não se trata de tirar o 'ir e vir' desses jovens porque eles simplesmente vagam pelas ruas", disse Ana Cristina.

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) criticou o novo protocolo porque, no seu entendimento, ele fere a Constituição, pois a tutela de menores de idade cabe à família, não ao Estado.

"Não estamos pensando em arbitrariedades, mas em medidas urgentes em prol da criança e do adolescente", disse Ivone.

De acordo com Bethlem há hoje 85 vagas em quatro instituições de tratamento. Três desses locais ficam em Mangaratiba e uma em Laranjeiras. A expectativa é que, até o fim deste mês, haja 145 vagas.

"O prefeito [Eduardo Paes] aumentou de R$ 15 milhões para R$ 23 milhões o orçamento da secretaria este ano só para isso. É o início de um trabalho de retirada da criança de uma situação de risco", disse o secretário.




FONTE: FOLHA.COM / LUIZA SOUTO - DO RIO

Publicado em 03.06.2011

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Mulheres dependentes de álcool passam mais tempo internadas do que homens



As mulheres passam mais tempo internadas em decorrência do alcoolismo do que os homens, segundo estudo realizado na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP.



Conduzida pelo professor Richardson Machado, a pesquisa analisou 2.203 pacientes de 56 municípios de Minas Gerais e levantou que o tempo médio de internação de uma mulher é de 24,4 dias, enquanto o do homem é de 22,2 dias.



Segundo o professor, o tempo de internação maior entre as mulheres pode ser explicado por duas causas principais. Primeiro, "pelas próprias proporções anatômicas, a mulher é bem menor do que o homem, apresenta-se mais frágil e sofre mais com o efeito do álcool, o que requer um tempo maior para a recuperação."



A mudança de comportamento e identidade cultural da mulher nos últimos anos pode ser outro motivo determinante para a constatação. "Antes, a mulher que bebia era mal vista, hoje tal hábito não é condenado", disse Machado.



O trabalho ainda destacou que a idade dos pacientes caiu gradativamente no período estudado, entre 1980 e 2008.



A estudo observou 34 internações de jovens entre 10 e 20 anos. Além disso, o professor relatou casos de crianças de 10 anos internadas nos último cinco anos, o que não acontecia antes. De acordo com ele, "as crianças estão sendo tratadas pela sociedade como adultos mais cedo. Isso as leva a assumirem hábitos de consumo dos adultos".



A pesquisa foi baseada em dados do sistema eletrônico de internações hospitalares da Clínica Psiquiátrica São Bento Menni, que serve de referência para as internações psiquiátricas hospitalares pelo SUS (Sistema Único de Saúde).



Apesar do maior tempo de internação do sexo feminino, o número de homens internados ainda é bem maior. Eles representam 82,4% dos internados, o que, para Machado, já era esperado, uma vez que eles se arriscam mais e têm maior pressão para se ajustar ao grupo de amigos.






FONTE: FOLHA ONLINE / com AGÊNCIA USP - COLABORAÇÃO PARA A FOLHA