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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Vírus artificial pode ser usado para criar vacinas com menos reações, diz cientista



A descoberta do vírus artificial poderá abrir caminho para vacinas mais inofensivas, que não precisarão utilizar partes de vírus vivos, reduzindo assim o perigo de reações adversas.



A previsão é do cientista Eckard Wimmer, criador do vírus artificial. Em palestra para pesquisadores da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), no Rio, na última quinta-feira, ele disse que os vírus sintetizados também poderão ser usados para a terapia genética.



"Eu acredito que haverá uma revolução na criação de novas vacinas. Também na terapia genética os vírus poderão levar até as células determinadas proteínas que o paciente não consiga fabricar ou que sintetize de forma insuficiente", afirmou.



Por outro lado, o cientista alerta que os avanços na tecnologia também podem possibilitar a criação de vírus modificados, que poderão ser usados tanto para a cura de doenças quanto para a criação de armas biológicas por terroristas.



"Um governo hostil, com dinheiro suficiente para comprar conhecimento, pode fazer isso [desenvolver arma biológicas]. É apenas uma questão de esperança, que isso não venha a acontecer. Não existe maneira de evitar que um grupo forte e perigoso faça como aconteceu anos atrás no Japão [quando terroristas espalharam gás sarin no metrô de Tóquio, em 1995, matando 12 pessoas e intoxicando 6 mil]. Os governos devem se preocupar em investigar e se infiltrar nesses grupos", advertiu o cientista, nascido na Alemanha e atualmente residente nos Estados Unidos, onde desenvolveu suas pesquisas.



Em 2002, ele anunciou o desenvolvimento do primeiro vírus artificial, por meio da manipulação do vírus da poliomielite. Na época, chegou a ser criticado por muitos setores, principalmente o religioso, com afirmações de que estaria "brincando de Deus", ao tentar criar a vida.



Wimmer disse que isso o deixou muito irritado, mas que atualmente a tecnologia já está mais bem compreendida e as críticas praticamente desapareceram.



O cientista comentou ainda os surtos de superbactérias, que atingem hospitais no Brasil e em outros países.



"Essas bactérias foram criadas por nós mesmos. É nossa culpa que elas estejam se proliferando. Nós tomamos muitos antibióticos e isso criou resistência. O que elas estão fazendo [criando variações] é apenas se defendendo", opinou.





FONTE: FOLHA ONLINE / DA AGÊNCIA BRASIL

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Estudo aponta possível terapia genética contra depressão



Pesquisadores identificaram um gene que pode causar sintomas de uma grave depressão, e disseram que talvez seja possível usar uma terapia genética para impedi-los.



Eles já testaram uma terapia semelhante nos cérebros de pacientes com mal de Parkinson, e poderiam adaptá-la rapidamente para tratar da depressão, disseram Michael Kaplitt, da Faculdade de Medicina da Universidade Cornell, e seus colegas em um estudo divulgado na quarta-feira.


"Temos uma terapia potencialmente nova para atingir o que agora sabemos ser uma das causas na raiz da depressão humana", disse o neurocirurgião Kaplitt em nota.



A depressão afeta cerca de 121 milhões de pessoas no mundo todo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e é diagnosticada anualmente em pelo menos 13 milhões de adultos nos EUA. É o principal fator causador de suicídios, e pelo menos 27 milhões de norte-americanos tomam antidepressivos.



As causas são complexas, e pacientes diferentes reagem a diferentes tratamentos.



A equipe de Kaplitt examinou a atividade de um gene chamado p11 numa parte do cérebro chamado "nucleus accumbens." "Este é o centro do cérebro para a satisfação e recompensa", disse Kaplitt por telefone.



"Um dos principais problemas na depressão é a chamada anedonia [incapacidade de se satisfazer com atividades normalmente prazerosas da vida]."



O gene p11 ajuda a regular a sinalização da serotonina, neurotransmissor associado ao humor, ao sono e à memória. Muitos antidepressivos agem sobre a serotonina.



Os pesquisadores usaram ratos sem o gene p11 ativo, e que agiam como deprimidos.



"Se você pega um rato pela cauda, ele tende a lutar para fugir. Um rato apresentando comportamento depressivo simplesmente fica lá deitado", disse Kaplitt.



A mesma equipe já testa a terapia genética para o mal de Parkinson em pessoas. Eles usaram o mesmo vetor --o vírus empregado para levar o novo gene ao organismo-- para fazer o substituto terapêutico do gene p11.



Isso transformou o comportamento dos ratos deprimidos, segundo artigo na revista "Science Translational Medicine". Mas substituir um gene em ratos não prova que esse gene cause os sintomas em humanos, ou que estimular sua produção iria alterar a depressão humana.



Então, os cientistas examinaram amostras cerebrais de pessoas já mortas que tinham depressão, e compararam com amostras de pessoas que não haviam sido deprimidas em vida.



Os níveis do p11 na região do "nucleus accumbens" --o centro da recompensa-- eram significativamente menores nos pacientes deprimidos, disseram os cientistas.



Kaplitt salientou que a terapia genética contra a depressão ainda vai demorar para ser testada em humanos, embora os testes com pacientes de Parkinson indiquem que a prática é segura.



"Um dos próximos passos principais é tentar testar isso em primatas não humanos", afirmou.






FONTE: FOLHA ONLINE / DA REUTERS