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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Google recorre ao STF para suspender determinação de retirar vídeo do YouTube


A Google Brasil Internet Ltda apresentou Reclamação (RCL 11026) no Supremo Tribunal Federal (STF) na qual contesta decisão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) que determinou a retirada de um vídeo postado no YouTube.

A empresa pede ao Supremo que a ação seja julgada em caráter de urgência, suspendendo o entendimento da corte eleitoral de que as imagens contidas no vídeo ridicularizariam um candidato ao cargo de deputado federal nas eleições de 2010.

Com base em dispositivos da chamada Lei das Eleições, artigo 45, incisos II e III, da Lei nº 9.504/1997, o TRE determinou à empresa Google a remoção imediata do citado vídeo do site YouTube. 

Conforme a decisão, a empresa deveria ainda fornecer os dados do usuário responsável pelo vídeo.

De acordo com a ação proposta no STF, a Google não tem responsabilidade sobre o conteúdo postado por seus usuários, pois o canal YouTube é uma ferramenta de hospedagem de conteúdo de terceiros.

Mesmo com essas alegações, a empresa forneceu os dados cadastrais disponíveis em seus servidores, mas não retirou o vídeo do ar.

Ao ter dificuldades em localizar os responsáveis pela postagem do conteúdo, o TRE-SP exigiu que a empresa retirasse o vídeo e estabeleceu a aplicação de multa diária de R$ 20 mil até a retirada do mesmo do ar.

Na Reclamação, a empresa alega o descumprimento de decisão do Supremo na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4451, em que foi suspensa a vigência de dispositivo da Lei Eleitoral que embasou a determinação do TRE-SP.

A conclusão do STF no caso se deu em razão da violação à liberdade de expressão, de imprensa e do direito de informação, segundo informa a ação.


Pedidos


A Google requer a concessão de liminar para suspender a decisão do TRE/SP, ressaltando a presença dos  pressupostos necessários, ou seja, o periculum in mora (perigo na demora) e o fumus boni iuris (fumaça do bom direito) em seu requerimento.

Por fim, solicita que o pedido seja julgado procedente para cassar definitivamente a decisão questionada, e evitar danos graves à empresa, que já acumula dívida no montante de R$ 180 mil, em razão da multa aplicada.

O relator da reclamação é o ministro Ayres Britto.






FONTE: STF

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Liminar determina que investigação contra deputado Bonifácio de Andrada seja remetida ao STF




Por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, os autos de investigação aberta pela Polícia Federal contra o deputado federal Bonifácio José Tamm de Andrada (PSDB-MG) devem ser enviados para a Suprema Corte.

A decisão é liminar e foi concedida em Reclamação (RCL 10908) apresentada pelo próprio deputado. 

Ao analisar o pedido, o ministro Gilmar Mendes verificou que os fatos tratados na investigação são semelhantes ao Inquérito 2463 e à Reclamação 4830, que já tramitam no Supremo sob a sua relatoria.

Os processos antigos tratam de busca e apreensão autorizadas por juiz de Zona Eleitoral localizada em Barbacena, em Minas Gerais, durante período eleitoral.

De acordo com a ação, a pedido do Ministério Público Eleitoral, o juiz teria determinado a busca nos comitês políticos do então candidato Bonifácio de Andrada e do candidato a deputado estadual Lafayette Andrada. 

Ao considerar que houve compra de votos (artigo 299 do Código Eleitoral), o juiz requisitou à Polícia Federal a instauração de inquérito.

Já a reclamação atual é relativa a fatos ocorridos durante as eleições de 2010, quando a Polícia Federal instaurou inquérito para apurar a ocorrência de ilícitos no comitê eleitoral do deputado.

Para o ministro Gilmar Mendes, os fatos relativos à investigação que tramita no Supremo são similares àqueles tratados nesta reclamação, que aponta a impossibilidade de um juízo eleitoral presidir inquérito instaurado para apurar eventual conduta de deputado federal.

O ministro lembra que foram autorizadas pelo juiz medidas investigatórias que afetam esfera jurídica do deputado federal e que o órgão competente para o controle jurisdicional de investigações que envolvem suposta prática de crimes por parlamentares, detentores de foro especial por prerrogativa de função, é o Supremo.

Por essas razões, ele concedeu liminar para determinar o envio dos autos para o STF.





FONTE: STF

Publicado em 14/12/2010

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Campanha de Dilma fecha 

com buraco de R$ 27,7 mi, 

o triplo da dívida de Serra


A campanha da presidente eleita, Dilma Rousseff, fechou as contas no vermelho, com buraco de R$ 27,7 milhões, o triplo do verificado nas contas do seu principal adversário na disputa, José Serra (PSDB).

A contabilidade petista, entregue nesta terça-feira ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mostra gasto total de R$ 177 milhões (mais cerca de R$ 6 milhões em bens estimáveis), sendo que os R$ 27,7 milhões representam um buraco total de 16%.


Proporcionalmente, o deficit é maior do que Lula registrou na disputa à reeleição, em 2006, cerca de 10% do que havia arrecadado.


Segundo o tesoureiro do PT, José de Filippi Jr., as contas da campanha, refeitas, mostraram que o rombo estava em torno de R$ 40 milhões no dia da eleição, em 3 de outubro (o próprio tesoureiro havia informado valor menor na ocasião, entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões), débito que teria sido diminuído graças a cartas enviadas a empresários em nome de Dilma e a um mutirão de dirigentes petistas que buscaram novas doações.





A dívida será assumida pelo PT, que afirmará à Justiça a intenção de quitá-la em 12 parcelas. Serra acumulou dívida de R$ 9,65 milhões, para um total de gasto em torno de R$ 120 milhões.




A assinatura de Dilma na prestação de contas foi colhida na manhã de hoje por Filippi Jr. Hoje é o prazo final para a apresentação das contas dos candidatos que disputaram o segundo turno das eleições.


FINANCIADORES


Hoje também será possível saber quem foram os maiores financiadores das campanhas presidenciais. Tradicionalmente, bancos e empreiteiras lideram as doações.


Segundo Filippi, o maior doador de Dilma foi o PT, que repassou a ela cerca de R$ 20 milhões dos cerca de R$ 130 milhões que arrecadou por conta própria. Excluído o valor sobreposto, a campanha de Dilma e o PT arrecadaram quase R$ 300 milhões na campanha.


Entre as empresas que figuram como maiores financiadoras da campanha de Dilma estão a Camargo Corrêa, UTC, Andrade Gutierrez, CSN e Friboi.


O custo total desta eleição, que deve ultrapassar R$ 3 bilhões em valores declarados pelos candidatos (média de R$ 20 por eleitor) já é 42% maior se comparado ao de 2006, mesmo sem as contas finais de Dilma, Serra e dos 18 candidatos a governador que disputaram o segundo turno.


Em 2006, os candidatos gastaram cerca de R$ 1,9 bilhão e, em 2002, as despesas ficaram em R$ 1,1 bilhão, valores corrigidos pelo IPCA.


FONTER: FOLHA.COM / RANIER BRAGON - DE BRASÍLIA

Campanha de Serra 

à Presidência

 tem dívida de 

R$ 9,6 milhões



A campanha de José Serra (PSDB) à Presidência deixou um rombo de R$ 9,65 milhões para o PSDB quitar. 



O PT, que não havia divulgado até as 18h de ontem o balanço de receitas e despesas, há uma semana tentava reduzir à metade a dívida de cerca de R$ 20 milhões da campanha de Dilma Rousseff.


O custo total desta eleição já é 42% maior se comparado ao de 2006, mesmo sem as contas finais de Dilma, Serra e dos 18 candidatos a governador --que têm até hoje para entregar o balanço ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).


Sem a contabilização de dados do segundo turno, as eleições proporcionais mais caras ocorreram em Roraima onde os candidatos investiram em média R$ 96,30 por eleitor.

São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro foram os Estados que mais gastaram, em valores absolutos, para eleger seus representantes.

Os três maiores colégios eleitorais do país também foram os que tiveram maior número de candidatos. O custo do voto em São Paulo foi de R$ 15,91; em Minas de R$ 23,18 e, no Rio, R$ 18,26.

Os 16.683 políticos que prestaram contas ao TSE declararam uma despesa total de R$ 2,7 bilhões, média de R$ 20,41 por voto. O levantamento excluiu despesas de quem disputou o segundo turno e dos comitês financeiros de campanhas e partidos.

Neste ano, o gasto total das campanhas para presidente, governador, senador, deputado federal e estadual ultrapassará os R$ 3 bilhões.

Em 2006, os candidatos gastaram cerca de R$ 1,9 bilhão e, em 2002, as despesas ficaram em R$ 1,1 bilhão, valores corrigidos pelo IPCA.

Os gastos de Serra, orçados inicialmente em R$ 180 milhões, se aproximaram dos R$ 120 milhões, de acordo com Márcio Fortes, um dos responsáveis pela contabilidade do tucano. O maior volume de despesas foi relacionado à comunicação da campanha.

A dívida de R$ 9,65 milhões é bem menor do que a herdada da campanha de Geraldo Alckmin à Presidência em 2006, que terminou com deficit R$ 19,5 milhões --valor já quitado.

A estimativa de gastos da campanha de Dilma era, na semana passada, de R$ 170 milhões. 

O teto era de R$ 191 milhões.


Editoria de Arte/Folhapress










FONTE: FOLHA.COM / FERNANDA ODILLA - DE BRASÍLIA

No último dia para 

prestação de contas,

 Justiça Eleitoral 

aguarda 4.833 justificativas

 sobre gastos em campanha


Hoje (30) é o último dia para que candidatos, diretórios de partidos e comitês financeiros prestem contas dos gastos nas eleições de 2010, mas 20% das justificativas ainda são aguardadas pela Justiça Eleitoral. Até o momento, 19.255 prestações de contas foram registradas, entre 24.088 esperadas.

Segundo o calendário eleitoral, hoje é o prazo final para a prestação de contas do segundo turno, mas a Justiça Eleitoral ainda aceitará as informações relativas ao primeiro turno (cujo prazo se encerrou no dia 2 de novembro). Depois disso, partidos, candidatos e comitês que não tiverem apresentado as contas responderão a um processo administrativo.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já tem entendimento consolidado no sentido de que esse prazo não pode ser ampliado.

Já tramita no TSE processo administrativo, do dia 4 de novembro, relativo a diretórios nacionais inadimplentes com a prestação de contas da campanha presidencial no primeiro turno. São eles: PTC, PPS, PTN, PRP, PSL e PCO. Também estão no processo o comitê financeiro nacional para presidente da Republica do PCB, o comitê financeiro nacional para presidente da República do PHS e o candidato a vice-presidente pelo P-SOL, Hamilton de Assis.

Os estados onde há maior déficit na prestação de contas são São Paulo (727 de 3.392), Rio de Janeiro (717 de 2.887) e Minas Gerais (321 de 1843).






FONTE: UOL / Débora Zampier - Da Agência Brasil - Em Brasília

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Serra terá participação ativa na política, dizem aliados



Tucanos mais próximos a José Serra (PSDB) buscaram sepultar ontem a interpretação de que o tucano tem a intenção de se candidatar novamente à Presidência.



No domingo, em seu discurso após a vitória de Dilma Rousseff (PT), Serra disse que sua derrota era um "até logo" e afirmou que "quis o povo que não fosse agora" que ele fosse presidente.



Segundo tucanos, o que Serra está decidido a fazer é se manter na vida pública, com atuação política ativa. A maneira pela qual isso vai se dar ainda é uma incógnita.



"Ele nunca falou em 2014. Isso foi uma interpretação que fizeram", disse Sérgio Guerra, presidente do PSDB e coordenador da campanha.



No caso de uma nova corrida à Presidência, ele deflagraria uma polarização direta com o senador eleito Aécio Neves (MG) dentro do partido. O mineiro desistiu de sua pré-candidatura ao Planalto, no fim de 2009, para evitar disputa direta com Serra.



Além de potencializar uma fissura nas estruturas do partido e, consequentemente, da oposição ao novo governo, Serra, sem mandato público, teria que atravessar um deserto de quatro anos antes de concorrer novamente.



Poderia disputar a Prefeitura de São Paulo em 2012, mas seria alvo certo de ataques de adversários por, em 2006, ter deixado o cargo 15 meses depois de assumir. O fato chegou a ser usado por Dilma em sua propaganda.



A indefinição decorre do fato de Serra nunca discutiu a hipótese de derrota.



Fato, por ora, é o desejo de Serra manter o controle sobre o partido. Apesar de não descartada, é pouco provável que José Serra busque um cargo na hierarquia do partido. O mesmo vale para Aécio Neves. A sucessão interna no PSDB acontece em março.



Serra passou o dia em sua casa, em São Paulo. À tarde, recebeu Sérgio Guerra.



Sua única manifestação se deu pelo microblog Twitter, em que voltou a agradecer a votação que teve e relatou ter dado os parabéns a Dilma.



Segundo o senador, Serra estava "tranquilo", sem demonstrar qualquer tipo de abatimento ou ressentimento em relação a Aécio Neves.



"Aécio se esforçou pela eleição", disse Guerra.



Houve um constrangimento no partido, no entanto, pelo fato de a vantagem de Dilma sobre Serra em Minas ter sido o dobro do esperado.



Entre serristas, a avaliação foi de que Aécio realmente se empenhou nos últimos dez dias da campanha. Mas já era tarde demais para reverter um ambiente antipaulista que ele mesmo teria ajudado a criar nos últimos anos.



A publicação de uma entrevista pela agência internacional "Reuters" ontem, em que Aécio tece considerações sobre a derrota, apesar de ter sido feita no meio da semana passada, aumentou o mal-estar com o mineiro.



Serra vai permanecer em São Paulo nos próximos dias. Um período de "exílio" no exterior, a exemplo do que aconteceu após a derrota para Lula, em 2002, está "fora de cogitação", disse Guerra.



O primeiro passo concreto do PSDB para definir o futuro da legenda acontece na próxima semana, quando a Executiva do partido se reúne para avaliar a campanha e discutir os próximos passos.



Também estava prevista para ontem à noite, em São Paulo, uma reunião da coordenação financeira para tratar das contas da campanha.



Coordenador do comitê financeiro da campanha, José Gregori informou que as contas estavam equilibradas, sem dívida "significativa".





FONTE: FOLHA ONLINE / BRENO COSTA - CATIA SEABRA - DE SÃO PAULO
 
Notícia divulgada em 02.11.2010 

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Ficha Limpa é um passo importante para a política", afirma professor de ética e política




Para o professor de ética e política da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Roberto Romano, a lei da Ficha Limpa é "um passo importante", mas ele chama a atenção para a "imprevisibilidade" das decisões do Supremo Tribunal Federal no julgamento de casos em que a lei deva ser aplicada.



Roberto também abordou a mudança de comportamento dos eleitores que segundo ele tem "a cultura política mais amadurecida" e que os representantes políticos não estão seguindo este ritmo de "modernização".



 
FONTE: FOLHA ONLINE
Veja o novo mapa do Congresso e conheça os deputados e senadores eleitos



A presidente eleita Dilma Rousseff (PT) terá ampla maioria no Congresso Nacional.



A petista conta com 311 dos 513 deputados. Mas, se tomado o arco de partidos que hoje apoiam o governo Lula, ela teria uma base de 402 parlamentares --a maior desde a redemocratização do Brasil.



Os principais alvos de negociação do futuro governo Dilma serão PP, PTB e PV, que optaram por não se coligarem formalmente à chapa dela ao Planalto.



No Senado, a petista também terá maioria confortável, que variaria hoje entre 52 e 60 das 81 cadeiras.



 
 
FONTE: FOLHA ONLINE
Derrotado, Serra corre risco de isolamento político após campanha errática


"Vocês não estão vendo que esta é a minha última chance?", esbravejou o então pré-candidato ao Palácio do Planalto, José Serra, ao esmurrar uma mesa cercada de aliados. O relato, feito por participantes do encontro, parece atual. Reflete o espírito ansioso e autocentrado de quem diz ter se preparado “a vida inteira” para comandar a República. A história ajuda a explicar a obstinação do tucano neste ano, cheio de ombradas nos rivais.

 
Mas aconteceu há oito anos, quando, como ministro da Saúde, almejava a cadeira do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Serra não teve sucesso, mas a vontade nunca sumiu. Hoje, aos 68 anos de idade e pela segunda vez derrotado em sua busca, o tucano tem seu projeto político novamente rejeitado pelas urnas. Em um segundo turno mais equilibrado do que o previsto pelos institutos de pesquisa, o candidato tucano conseguiu expressivos, porém insuficientes 43.711.299 milhões de votos, ou 43,95% do total. Sua rival, a petista Dilma Rousseff, amealhou 55.752.493 de votos (56,05% do total).



Há semelhaças entre as campanhas de 2002 e 2010. Quando perdeu as eleições que deram o primeiro mandato a Luiz Inácio Lula da Silva, após um impopular segundo governo de FHC, Serra também se esforçou para não parecer candidato do governo nem da oposição.



Em ambas as disputas presidenciais, manteve a fama de centralizador e impetuoso, organizando a própria agenda e as próprias políticas sem consultar aliados. Rachou o PSDB por ter ofuscado as conquistas do governo que ajudou a conduzir, como a modernização da telefonia. Tudo para evitar o rótulo de "estatista", eleitoralmente mal visto.



"Sou como se diz em latim na bandeira de São Paulo: não sou conduzido, conduzo", costuma dizer. Pois novamente os aliados –principalmente os não-paulistas– foram minguando. Na campanha pelo segundo turno, o ex-governador mineiro e senador eleito Aécio Neves até ensaiou se engajar. Mas não foi o bastante para evitar o triunfo de Dilma, nascida em Belo Horizonte. Serra foi conduzido a mais uma derrota.



Quando se elegeu prefeito de São Paulo (2004) e governador paulista (2006), Serra ainda não tinha a idade como empecilho para tentar o Palácio do Planalto. Derrotado, fica sem mandato político e com maior concorrência numa eventual nova chance de buscar o cargo, já que o partido conta com os mais jovens Aécio e Geraldo Alckmin na fila da sucessão.



Flexibilidade retórica

Para dirigentes de partidos que compuseram sua aliança, os maiores problemas na campanha de Serra foram as idas e vindas do discurso do candidato, além da demora em assumir que que postulava a sucessão de Lula. A forma com que se referia a Lula é emblemática. Chegou a dizer que o presidente estava "acima do bem e do mal", para depois, na reta final, criticá-lo com dureza.



"Somos dois homens de história, é natural que eu cite o presidente", disse o tucano para justificar o uso de imagens de Lula no horário eleitoral. As críticas internas na ocasião recaíram sobre o marqueteiro Luiz González. Mas a decisão de exibir foi do candidato.



"O tom oposicionista só se fortaleceu no segundo turno, quando muitos dos votos já estavam cristalizados", afirmou o cientista político David Fleischer, da UnB (Universidade de Brasília) ao UOL Eleições. "Usar Lula na TV mostrou que Serra não sabia bem qual papel desempenhar."



Foi Serra, dizem tucanos mineiros, quem acirrou o confronto com Aécio pela candidatura à Presidência. Contrariado, o senador eleito abriu mão meses antes do esperado, atraindo a mira dos aliados de Lula para o então governador de São Paulo.



O ex-ministro da Saúde tentou atrair o ex-rival interno para a vice na chapa, para atenuar a crise. Acabou levado a escolher o pouco conhecido e verborrágico deputado federal Indio da Costa (DEM-RJ).



"Esse processo de escolha tirou confiança da candidatura no nascedouro", diz Fleischer. "No segundo turno, Serra até chegou a ter chances de virar na primeira semana, mas a verdade é que os eleitores que deixaram Dilma tinham apenas feito um pit-stop entre os indecisos e, parte deles, em Marina. Tanto é assim que Serra nunca subiu enquanto Dilma caía nas pesquisas, nem no primeiro turno nem no segundo."



Falta de agenda

Na reta final do primeiro turno, Serra –que se esforçava para deixar o tom professoral e se encaixar no papel de "Zé", simples e popular-, viu-se diante de dois escândalos que poderiam abalar a candidatura petista: o vazamento de dados sigilosos da Receita Federal, incluindo o de sua filha, Verônica, e as denúncias de tráfico de influência e propina no governo, levando à queda da ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra.



Martelou os dois assuntos na imprensa, e a campanha de Dilma foi abalada. Muitos eleitores abandonaram a petista, mas a maioria deles migrou para a candidatura de Marina.



Ainda assim, haveria um segundo turno para confirmar o dogma dos marqueteiros políticos brasileiros: quem bate, perde. E o que se viu foi quase uma "pancadaria" verbal entre Dilma e Serra do início de outubro até o dia da votação final. Com os dois no ataque, a petista se beneficiou.



"Houve dificuldade muito grande da campanha do PSDB em colocar uma agenda nova para o Brasil. O candidato Serra não conseguiu isso", diz o cientista político Luciano Dias, do Ibep (Instituto Brasileiro de Estudos Políticos). "Surgiu a pauta religiosa, que Serra abraçou com mais fervor do que Dilma, porque achou que surfaria nela. Mas a verdade é que a agenda econômica cedo ou tarde prevaleceria. E esse sempre foi o ativo de Lula."



Na reta final do segundo turno, em meio à falta de fatos novos que abalassem a candidatura de Dilma, um assunto improvável virou tema de discussão com repercussão no noticiário nacional: afinal, Serra teria sido atingido apenas por uma bolinha de papel atirada por petistas na zona oeste do Rio de Janeiro ou também por um objeto mais pesado, não detectado claramente pelas câmeras presentes no local?



A pauta negativa não ajudou o tucano a reverter a desvantagem. Sem fatos novos da campanha, estava selada a vitória de Dilma. Pelo menos por enquanto, terá de buscar consolo no que disse a influente revista britânica "Economist" a seu respeito: "O melhor presidente que o Brasil nunca teve".

 
 
 
 
FONTE: Maurício Savarese - Do UOL Eleições - Enviado a Brasília
Líderes mundiais parabenizam Dilma Rousseff pela vitória



A escolha da petista Dilma Rousseff para substituir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no comando do Brasil pelos próximos quatro anos foi vista com bons olhos pelos presidentes Nicholas Sarkozy (França), Zapatero (Espanha), e pelos latino-americanos Cristina Kirchner (Argentina), Hugo Chávez (Venezuela) e Evo Morales (Bolívia), os primeiros líderes mundiais a parabenizarem a primeira mulher eleita presidente do Brasil.


O presidente Francês foi o primeiro a se manifestar em um comunicado emitido pelo Eliseu logo após a divulgação dos resultados oficiais. Sarkozy afirmou que a eleição de Dilma reflete o "reconhecimento do povo brasileiro pelo considerável trabalho feito pelo presidente Lula para fazer do Brasil um país moderno e mais justo". O presidente francês afirmou ainda que "França e Brasil compartilham os mesmos valores e uma visão comum do mundo".



Na América Latina, os principais líderes deram boas-vindas à petista. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez não poupou palavras para cumprimentar a eleita e afirmou que ela se tornará "uma gigante". "Vou mandar este beijo para a minha querida Dilma", disse Chávez em seu programa dominical “Alô, Presidente”.



Cristina Kirchner, presidente da Argentina, também parabenizou a petista dizendo que ela agora faz parte do “clube de companheiras do gênero”. Além das duas, a América Latina tem outra mulher presidente: Laura Chinchilla, na Costa Rica.



A argentina telefonou na noite de domingo para Dilma e reafirmou a "indeclinável vontade de seguir trabalhando com o governo e nação irmã do Brasil para aprofundar a estreita e rica relação que une os dois países".



Argentina e Brasil, maiores sócios do Mercosul (também formado por Paraguai e Uruguai), mantêm uma sólida relação bilateral e posições comuns em muitos temas da política internacional.




Evo Morales, presidente da Bolívia, qualificou de "triunfo da democracia latino-americana" a vitória de Dilma neste domingo.



"É um triunfo da democracia latino-americana", disse Morales ao comentar o resultado do segundo turno presidencial no Brasil, segundo a agência oficial ABI. A vitória petista também significa que a democracia voltou a triunfar em "uma América Latina unida que aposta na mudança", completou o presidente boliviano. O Brasil é o maior comprador de gás boliviano, com uma média de 30 milhões de metros cúbicos diários.



Espanha e Irã



O primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, felicitou em um telegrama a presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff e desejou "êxito em nome do governo espanhol e do meu próprio".



O presidente da Comissão Europeia (CE), José Manuel Durão Barroso, parabenizou Dilma nesta segunda-feira (1º) e destacou o "significado histórico" da escolha da primeira mulher para governar o país. Em carta, Barroso recorda que recebeu a vencedora do pleito em Bruxelas em junho, quando ainda era candidata, e convida Dilma para uma nova visita.



"O Brasil é um lugar estratégico de primeira importância para a União Europeia. Compartilhamos valores comuns e objetivos estratégicos, tanto no que diz respeito a questões econômicas e financeiras, quanto na mudança climática e na liberalização do comércio mundial", assegura Barroso.



O Brasil, parceiro estratégico da UE desde 2007, é também o país da América Latina que recebe mais investimentos europeus diretos, algo em torno de 87 bilhões de euros.



O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse em carta, também nesta segunda, que com a vitória de Dilma, "o Brasil continuará no caminho do progresso e do desenvolvimento, inclusive de forma mais rápida”.



Sobre as relações entre os dois países, Ahmadinejad declarou que "os laços de amizade construídos entre os dois países durante a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva produziram avanços a nível bilateral, regional e internacional".



Dilma Rousseff (PT) venceu o segundo turno da eleição presidencial neste domingo (31) contra José Serra (PSDB), com 56% dos votos, contra 43,9% do adversário.




FONTE: UOL / Do UOL Eleições / Com agências internacionais