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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Ataque de Israel justificaria começo de guerra, diz premiê turco


O primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, afirmou que a ação de Israel contra um navio da Turquia rumo à Gaza era "causa de guerra", segundo relatos de entrevista que deu à emissora Al Jazeera, transcrita pela agência estatal de notícias Anatolia.

Entre os trechos, Erdogan dizia que o ataque israelense no ano passado, que deixou nove turcos mortos, teria justificado o início de uma guerra entre os países. Israel se recusa em se desculpar pela operação contra uma frota humanitária em 31 de maio de 2010 que tentava furar o bloqueio à faixa de Gaza.

"O ataque que aconteceu não ia de acordo com nenhuma lei internacional. Na verdade, era causa de guerra. No entanto, condizendo com a grandeza da Turquia, decidimos agir com paciência", afirmou.

Israel afirma que a ofensiva contra a frota foi em legítima defesa, após seus soldados terem sido atacados por alguns dos ativistas presentes. O país lamentou as mortes ocorridas e afirmou que é chegado o momento das duas nações se entenderem.

Um relatório da ONU sobre o evento afirmou que o bloqueio feito por Israel foi legítimo, mas acusou o país de ter feito uso de força excessiva.

Na última terça-feira (6), o premiê turco anunciou a suspensão total dos laços comerciais e militares com Israel, depois de reduzir o status das relações diplomáticas com o país. "Laços comerciais, laços militares, relativos à indústria de defesa, nós estamos suspendendo-os completamente. Este processo vai ser seguido de diferentes medidas", disse.

No dia 2 de setembro, o chanceler turco Ahmet Davutoglu anunciou a expulsão do embaixador israelense em Ancara e suspendeu todos os acordos militares com Israel. O país era o aliado muçulmano do Ocidente com melhores relações com Israel e pressionava o país para que pedisse desculpas pelo incidente.


FONTE: FOLHA.COM / DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Documentos revelam 

que os EUA 

recrutavam ex-nazistas




Depois da 2ª Guerra Mundial, a contra-inteligência norte-americana recrutou ex-funcionários da Gestapo, veteranos da SS e colaboradores nazistas num número ainda maior do que havia sido revelado e ajudou muitos deles a evitarem processos ou permitiu que eles escapassem, de acordo com milhares de novos documentos confidenciais divulgados recentemente.
Com a União Soviética avançando na Europa Oriental, “acertar as contas com os alemães ou seus colaboradores parecia menos premente; em alguns casos, parecia até mesmo contraproducente”, disse um relatório do governo publicado na sexta-feira pelos Arquivos Nacionais.
“Quando veio à tona a história de Klaus Barbie, sobre sua fuga para a Bolívia com a ajuda norte-americana, achávamos que não existiam mais histórias como esta, que Barbie era uma exceção”, diz Normal J.W. Goda, professor da Universidade da Flórida e coautor do relatório junto com o professor Richard Breitman da Universidade Americana. “O que descobrimos nos registros e que havia um número significativo, e que parecia mais sistemático.”
Em detalhes frios, o relatório também conta a estreita relação de trabalho entre os líderes nazistas e o grande mufti (acadêmico islâmico que interpreta a sharia) de Jerusalém, Haj Amin al-Husseini, que depois alegou ter buscado refúgio na Alemanha durante a guerra apenas para evitar ser preso pelos britânicos.
De fato, diz o relatório, o líder muçulmano recebia “uma verdadeira fortuna” de 50 mil marcos por mês (enquanto um marechal alemão recebia 25 mil marcos por ano). O relatório também diz que ele recrutava muitos muçulmanos para a SS, a elite do comando militar do Partido Nazista, e recebeu a promessa de que seria instalado como líder da Palestina depois que as tropas alemãs expulsassem os britânicos e exterminassem mais de 350 mil judeus lá.
Em 28 de novembro de 1941, segundo os autores, Hitler disse a al-Husseini que o Afrika Corps e as tropas alemãs enviadas à região do Cáucaso liberariam os árabes no Oriente Médio e que “o único objetivo da Alemanha lá seria a destruição dos judeus.”
O relatório detalha como permitiram que o próprio al-Husseini fugisse depois da guerra para a Síria –ele estava sob custódia dos franceses, que não queriam alienar os regimes do Oriente Médio– e como altos funcionários nazistas escaparam da Alemanha para se tornar conselheiros de líderes árabes anti-israelitas e “foram capazes de continuar atuando e de transmitir a outras pessoas o anti-semitismo racial-ideológico dos nazistas”.
“Havia de fato um contrato entre os funcionários do Ministério de Exterior nazista com os líderes árabes, incluindo Husseini, que se estendeu para depois da guerra porque eles viram uma causa na qual acreditavam”, disse Breitman. “E depois da guerra, havia verdadeiros criminosos de guerra nazistas – Wilhelm Beisner, Franz Rademacher e Alois Brunner – que eram muito influentes em países árabes.”
Segundo o relatório, em outubro de 1945, o chefe britânico da Divisão de Investigação Criminal Palestina disse ao assistente de um oficial militar norte-americano no Cairo que o mufti poderia ser a única força capaz de unir os árabes palestinos e “esfriar os sionistas. É claro, nós não podemos fazer isso, mas pode não ser uma ideia tão má nisso.”
“Hoje temos relatos mais detalhados das atividades de al-Husseini durante a época da guerra, mas o arquivo de al-Husseini na CIA indica que as organizações de inteligência dos aliados durante o período da guerra reuniram uma porção considerável de provas incriminadoras”, diz o relatório.
“Essas provas são significativas à luz do tratamento leniente que al-Husseini recebeu no pós-guerra”. Ele morreu em Beirute em 1974.
O relatório, “A Sombra de Hitler: Criminosos de Guerra Nazistas, Inteligência Norte-Americana e a Guerra Fria”, foi feito por um grupo formado por várias agências governamentais, criado pelo Congresso para identificar, revelar e divulgar registros federais sobre os crimes de guerra nazistas e sobre os esforços aliados para responsabilizar os criminosos.
Ele foi extraído de uma amostra de 1.100 arquivos da CIA e 1,2 milhões de arquivos de contra-inteligência do Exército que só foram revelados ao público depois que o grupo divulgou seu relatório final em 2007.
“A Sombra de Hitler” acrescenta uma dimensão mais ampla à história do Departamento de Justiça sobre as operações norte-americanas de caça aos nazistas, que o governo se recusou a divulgar desde 2006 e que concluiu que funcionários da inteligência norte-americana criaram um “refúgio seguro” nos Estados Unidos para alguns ex-nazistas.
Como os primeiros relatórios gerados pelo grupo, este faz um retrato sombrio da burocracia, das disputas de poder e das falhas de comunicação entre as agências de inteligência.
Ele também detalha as decisões táticas interesseiras e descaradamente cínicas dos governos aliados e uma predisposição geral que determinava que alguns crimes de guerra de ex-nazistas e seus colaboradores deveriam ser ignorados porque seus suspeitos poderiam ser transformados em bens valiosos nas campanhas secretas mais urgentes contra a agressão soviética.
O esforço da inteligência norte-americana para se infiltrar no Partido Comunista da Alemanha Oriental foi apelidado de “Projeto Felicidade”.
“Localizar e punir criminosos de guerra não estava entre as mais altas prioridades do Exército no final de 1946”, diz o relatório. Em vez disso, ele conclui que a contra-inteligência do Exército espionou grupos suspeitos desde os comunistas alemães até refugiados judeus politicamente ativos em campos de pessoas desabrigadas e também “se esforçou para proteger certas pessoas da justiça”.
Entre eles estava Rudolf Mildner, que foi “responsável pela execução de centenas, se não milhares, de suspeitos membros da resistência polonesa” e como comandante da polícia alemã estava na Dinamarca quando Hitler ordenou que os 8.000 judeus do país fossem deportados para Auschwitz.
Mildner escapou de um campo de confinamento em 1946, e o relatório levanta questões sobre se os agentes da inteligência norte-americana deram “um tratamento leniente a Mildner que contribuiu de certa forma para que ele fugisse” e sugere até mesmo que ele pode ter ficado sob custódia norte-americana ajudando a identificar comunistas e outros subversivos antes de se estabelecer na Argentina em 1949.
O relatório cita outros casos semelhantes à experiência de Klaus Barbie, conhecido como o Açougueiro de Lyon. Ele cooperou com agentes da inteligência norte-americana que o ajudaram a fugir para a Argentina.
Um desses casos envolve Anton Mahler, agente anti-comunista da Gestapo que interrogou Hans Scholl, o líder estudantil subversivo que foi decapitado em 1943. Mahler também serviu no Einsatzgruppe B na Belarus ocupada, que foi culpado pela execução de mais de 45 mil pessoas, principalmente judeus.
“Essa admissão em seu próprio questionário militar do governo dos EUA em 1947 foi ignorada ou passou despercebida pelas autoridades dos EUA e da Alemanha Ocidental”, disse o relatório.
Agentes norte-americanos recomendaram que Mahler e outros ex-nazistas fossem protegidos de processos criminais inspirados politicamente na Alemanha.
Em 1952, diz o relatório, a CIA se mexeu para proteger Mykola Lebed, um líder nacionalista ucraniano, de uma investigação criminal pelo Serviço de Imigração e Naturalização.
Ele trabalharia para a inteligência norte-americana na Europa e nos Estados Unidos durante os anos 80, apesar de durante a guerra ter se envolvido com unidades de guerrilha que mataram judeus e poloneses e de ter sido descrito por um relatório de contra-inteligência como um “sádico notório e colaborador dos alemães.”



FONTE:  The New York Times - Sam Roberts / Tradução: Eloise De Vylder

domingo, 13 de junho de 2010

Ligação do Paquistão com Taleban "é mais forte que se pensava", diz relatório



Um relatório da London School of Economics (LSE) sugere que os vínculos entre o serviço de inteligência paquistanês (ISI, na sigla em inglês) e as forças do Taleban no Afeganistão seriam mais fortes do que se pensava.

O estudo da prestigiada universidade britânica afirma que o serviço paquistanês provê ao Taleban recursos, treinamento e proteção no Afeganistão.

Um porta-voz das Forças Armadas paquistanesas disse que o documento é parte de uma campanha maliciosa contra o país.

O autor do relatório, Matt Waldman, entrevistou nove comandantes do Talebã no Afeganistão no início deste ano.

Alguns dos entrevistados disseram que o serviço de inteligência paquistanês chegou a ter participantes em reuniões do conselho supremo do Taleban.

Eles sugeriram que o apoio paquistanês ao Taleban afegão teria como objetivo fazer uma contraposição à presença indiana no país em guerra.

As acusações de que o Paquistão tem ligações com o Taleban no Afeganistão vêm desde o fim da ocupação soviética do Afeganistão, em 1979.

Entretanto, desde 2001 o Paquistão é um "aliado-chave" dos Estados Unidos, recebendo bilhões de dólares em troca de ajuda para combater a rede extremista Al Qaeda.

"O Paquistão parece estar fazendo um jogo duplo de magnitude impressionante", diz o relatório.

O estudo é publicado ao fim de uma das mais violentas semanas para as tropas da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no Afeganistão, que terminou com mais de 30 soldados mortos.

Segundo o relatório, sem uma mudança de atitude no Paquistão, não há muito o que o governo afegão ou a comunidade internacional possam fazer para deter o movimento insurgente.



FONTE: FOLHA ONLINE / da BBC Brasil