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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Após 30 anos no poder, ditador Hosni 


Mubarak renuncia no Egito



Após 18 dias de intensos e violentos protestos que tomaram diversas cidades do Egito, o ditador Hosni Mubarak, 82, renunciou ao poder depois de comandar uma ditadura com mão de ferro durante 30 anos. O anúncio foi feito pelo vice-presidente egípcio, Omar Suleiman, na TV estatal. Em poucos minutos, centenas de milhares estavam em festa e aos gritos na praça Tahrir, epicentro das manifestações de oposição.

"Presidente Hosni Mubarak decidir renunciar como presidente do Egito", disse Suleiman, em um breve anúncio, acrescentando que o poder foi entregue às Forças Armadas.
Segundo Suleiman, a decisão foi tomada diante das "difíceis circunstâncias pelas quais o país passa".

A saída de Mubarak solidifica a crise no mundo árabe, sendo a segunda ditadura a ruir na região em menos de um mês. Ainda no dia 14 de janeiro a Revolução do Jasmim levou o ditador da Tunísia, Zine el Abidine Ben Ali, a abandonar o país, em meio ao movimento que se alastrou para outros países, causando protestos na Mauritânia, Argélia, Jordânia e Iêmen.

Após o anúncio, uma explosão de alegria tomou as ruas do Cairo. Centenas de milhares de egípcios agitaram bandeiras, choraram e se abraçaram em celebração. "O povo derrubou o regime", cantavam em coro.

AFP
Manifestantes antigoverno tomam as ruas da litorânea Alexandria, segunda maior cidade do Egito, no 18º dia de protestos



A renúncia ocorre menos de 24 horas depois de fortes rumores de sua saída imediata do poder. Na noite de quinta-feira, Mubarak discursou à nação e disse que passava parte de seu poder a Suleiman, mas permaneceria até setembro --quando estão previstas eleições presidenciais. O discurso de "fico" causou fúria nos manifestantes que marcharam em direção ao Palácio Presidencial aos gritos para que deixasse o poder.

O ditador Mubarak ascendeu na Força Áérea --principalmente pelo seu desempenho na guerra de Yom Kippur com Israel-- e tornou-se vice-presidente em 1975. Ele assumiu a Presidência quando islamitas mataram a tiros seu antecessor, Anwar Sadat, em um desfile militar em 1981.

Mubarak se beneficiou de artigos da Constituição egípcia que ditam mandatos presidenciais de seis anos com um número de reeleições indefinidas. Além disso, alterações à lei fizeram com que a vitória de candidatos de outro partido que não o seu fosse praticamente impossível.

Sob denúncias de corrupção e em meio a diversas acusações de abusos de autoridade e prisões tornadas possíveis devido ao estado de emergência, em vigor há 30 anos no país, a imagem de Mubarak deteriorou-se ao longo dos anos.


Amr Nabil-8.fev.2011/AP
Aos 82 anos, Hosni Mubarak renunciou ao comando do Egito após três décadas à frente da ditadura no país



Aliado de Washington na região, o ditador usufruía de boas relações com o Ocidente embora fosse fato conhecido de que seu governo era uma ditadura de mão de ferro.

Mubarak também era bem visto por ter mantido um acordo de paz com Israel, assinado em 1979, país com o qual o Egito travou três guerras.

Nas eleições legislativas de novembro passado, o partido de Mubarak ganhou cerca de 90% dos assentos no Parlamento, que viu a principal oposição islâmica perder todos os seus 88 lugares, garantindo ao partido de Mubarak as decisões do Parlamento e apertando o punho Mubarak no poder.


SAÍDA DO CAIRO

Em uma tentativa de acalmar os manifestantes, Mubarak anunciou dias atrás que não concorreria às eleições presidenciais de setembro próximo, mas alertou que ficaria no poder até lá para evitar o "caos" no país. Ele mandou ainda seu vice, Omar Suleiman, negociar com a oposição --oferta que foi rejeitada. Os manifestantes exigiam que Mubarak deixasse o poder antes de iniciar qualquer diálogo.

Mais cedo, o porta-voz do partido de Mubarak havia confirmado que o mandatário e sua família viajaram para o balneário de Sharm el-Sheikh, no mar Vermelho.

"Ele está em Sharm el-Sheikh", afirmou Mohammed Abdellah, do Partido Nacional Democrático.

Pouco antes, fontes ligadas ao governo informaram que Mubarak e a família haviam deixado o Cairo nesta sexta-feira, mas sem deixar claro qual era o destino.

A TV estatal egípcia informou também que uma importante declaração de Mubarak será transmitida em breve, mas não deu mais detalhes.

A edição digital do jornal pró-governo "Al Ahram" afirma, citando fontes próximas às Forças Armadas, que Mubarak esteve em uma base militar durante as últimas 48 horas para garantir sua segurança.

AP
Guardas presidenciais egípcios observam manifestantes rezando na entrada do palácio presidencial, no Egito



O jornal diz ainda que, "devido à situação na capital, foi impossível para o presidente mover-se com segurança com sua comitiva habitual".

A informação sobre a viagem de Mubarak também foi divulgada pelas redes de TV árabes Al Arabiya e Al Jazeera. Sharm el-Sheikh, localizado no extremo sul da península do Sinai, é o local em que Mubarak costuma receber personalidades estrangeiras e realizar conferências internacionais.


PROTESTOS

Os violentos protestos registrados no Egito por mais de duas semanas registraram quase 300 mortes, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), além da morte de jornalistas e diversos ataques à imprensa.

Iniciadas no Cairo, as manifestações se espalharam por outras cidades, como Alexandria e Suez.

O Exército teve um papel crucial desde o início da crise, por vezes apoiando a população mas em algumas ocasiões também abrindo fogo contra os manifestantes.


Pedro Ugarte/AFP
Egípcios gritam frases contra o ditador Hosni Mubarak durante protesto na praça Tahrir, centro do Cairo



Nesta sexta-feira, centenas de milhares de pessoas fizeram orações na praça Tahrir, onde clérigos traçaram paralelos entre a luta dos manifestantes contra Mubarak e a do profeta Moisés com o antigo faraó. "Que Deus force os opressores para fora!", os clérigos diziam. "Amém, amém", respondiam os fiéis. Depois, seguiram para o palácio presidencial.

Do lado de fora do prédio, homens rezavam atrás de veículos blindados. Os militares não interferiram, apesar de eles terem bloqueado as principais ruas que levam ao palácio, um grande complexo onde Mubarak conduz a maioria de suas tarefas oficiais.

"Abaixo, abaixo Hosni Mubarak!", cantavam os manifestantes. Centenas deles andaram por mais de uma hora para chegar até o palácio na noite de quinta-feira, saindo do epicentro dos protestos, a praça Tahrir, no centro do Cairo.

"Saia! Por que você continua?", gritavam cinco mulheres idosas. "Trinta anos é o suficiente", elas diziam ao ditador, de 82 anos de idade. O número de manifestantes no palácio já era de 2.000 no início da tarde.

"Não sairemos até que Mubarak renuncie e, se Deus quiser, o protesto de hoje será pacífico", disse Yasmine Mohamed, 23, uma estudante universitária. "Tudo ficará bem e ele renunciará com certeza."



                                                           Suhaib Salem/Reuters

Manifestantes antigoverno participam das orações de sexta-feira na praça Tahrir, Cairo, no 18º dia de protestos



Um membro de um dos movimentos jovens por trás protestos, que começaram em 25 de janeiro, disse que os manifestantes iriam "tomar o palácio". "Teremos massas de egípcios após as orações de sexta-feira para tomá-lo", disse Ahmed Farouk, 27.

Na segunda maior cidade egípcia, Alexandria, na costa mediterrânea, centenas de milhares de pessoas foram às ruas após as orações. O xeque Ahmed al Mahalawi, em seu sermão na principal mesquita da cidade, pediu aos fiéis para não desistirem.

"Não recuem de sua revolução porque a história não irá recuar", afirmou o xeque em um sermão transmitido pela rede Al Jazeera. Mahalawi disse aos fiéis que eles estavam derrubando um "regime corrupto" que não serve para governar.




FONTE: FOLHA ONLINE / DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS






quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Governo egípcio anuncia medidas de abertura, recusadas pela oposição


O governo egípcio, encurralado, desculpou-se nesta quinta-feira pela violência dos ataques da parte de apoiadores do presidente Hosni Mubarak contra manifestantes na praça Tahrir, no Cairo. E anunciou medidas de abertura, mas a oposição negou-se ao diálogo atéque ditador seja afastado.

O chamado à demissão imediata do presidente Hosni Mubarak é um "apelo ao caos", declarou o vice-presidente egípcio Omar Suleiman, ao convocar o país ao diálogo, na véspera de novas manifestações.

Os protestos previstos para esta sexta-feira, tradicionalmente dedicada às preces muçulmanas, farão parte do "Dia da Despedida", em alusão à desejada renúncia do presidente.

A Irmandade Muçulmana, principal força da oposição e apenas tolerada pelo governo, foi convidada a participar de conversações entre o poder e a oposição.

"A Irmandade Muçulmana foi contatada e convidada ao diálogo. Mas eles estão hesitantes", disse Suleiman durante uma entrevista à televisão estatal, no 10º dia de uma onda de contestação sem precedentes.

"A Irmandade Muçulmana rejeita categoricamente qualquer diálogo com o regime sem qualquer hesitação", afirmou o porta-voz Mohammed Mursi, em comunicado no site do grupo, em resposta à oferta feita.

"As pessoas derrubaram o regime, e não há sentido em qualquer diálogo com um regime ilegítimo", completou o grupo.

Confrontos entre partidários e opositores do presidente Mubarak fizeram, desde quarta-feira, na praça Tahrir, no centro do Cairo, oito mortos, segundo novos números divulgados pelo ministério egípcio da Saúde, citado pela agência oficial Mena.

O primeiro-ministro, Ahmed Shafiq, desculpou-se pela onda de violência que prometeu "investigar".

Shafiq disse, inclusive, estar "disposto a se dirigir nesta sexta à praça Tahrir (da Libertação) para conversar com os manifestantes" - o que representa uma mudança de tom do governo, desde o início dos protestos, em 25 de janeiro.

Segundo o vice-presidente, todos os partidos aceitaram participar do diálogo, exceto o Wafd (liberal) e o Tagammou (esquerda), da oposição legal, mas que não têm peso maior.

"Acho, no entanto, que nos encontraremos muito em breve", afirmou Suleiman, acrescentando que os "independentes" e "personalidades" também tomaram parte no diálogo, junto com representantes dos jovens, mas não deu mais detalhes.

A confraria islamita anunciou que rejeitava o fato de Hosni Mubarak permanecer na chefia do Estado até o final de seu mandato, em setembro, apesar de o presidente ter afirmado que não se apresentaria a um sexto mandato.

Os islâmicos são o maior e mais organizado grupo no Egito, mas foram banidos como partido político, e seus seguidores concorrem nas eleições como independentes.

Eles são frequentemente presos por conta de suas atividades políticas, e seu envolvimento em qualquer tipo de diálogo com o governo representaria uma enorme mudança na política do país.

A Irmandade Muçulmana, fundada em 1928, chegou a obter 88 cadeiras nas eleições legislativas de 2005. Em 2010, perdeu sua representação parlamentar, depois de retirar-se das eleições entre o primeiro e segundo turno, alegando fraude.

Suleiman e o primeiro-ministro Ahmad Chafic haviam anunciado um início de diálogo na manhã desta quinta-feira, mas a principal coalizão opositora rejeitou as negociações.

Mais cedo nesta quinta-feira, o vice-presidente anunciou, em nota lida pela televisão, que o filho de Mubarak não se apresentaria às eleições de setembro no Egito, em mais uma tentativa de acalmar a oposição que teme a ascensão de Gamal ao poder.

Mohammed Aboul Ghar, um porta-voz da Coalização Nacional pela Mudança, que se constituiu em torno de Mohamed ElBaradei e conta entre seus membros a Irmandade Muçulmana e o Movimento Kefaya (Basta), também frisou a rejeição a qualquer tipo de diálogo, antes da partida do presidente Hosni Mubarak.

"Nossa decisão é clara: nenhuma negociação com o governo antes da saída de Mubarak. Depois disto, estaremos prontos a dialogar com Suleiman", informou ele à AFP.


FONTE: AFP

Brasileiras recorrem à Força Aérea de Portugal para deixar o Egito


Fernanda foi para a casa de amigos para se proteger do tumulto no Cairo.

Duas brasileiras que estavam no Egito durante os protestos dos últimos dias recorreram a um avião da Força Aérea de Portugal para deixar o país.

O avião português chegou a Lisboa nesta quinta-feira e, além das brasileiras, retirou do Egito cidadãos de outros países, como espanhóis, franceses, holandeses, guineenses e malaios.

Apenas uma das brasileiras transportadas, a carioca Fernanda Fonseca, de 21 anos, aceitou falar com a BBC Brasil. 

Moradora do Egito desde 2010, ela disse que decidiu deixar o país para diminuir a preocupação do pai, que mora no Brasil.

Ela disse que procurou a embaixada brasileira quando decidiu sair, mas foi informada de que, naquele momento, não haveria voo especial para brasileiros.

"Quando a gente telefonou, disseram que estavam esperando instruções de Brasília para organizar qualquer coisa", disse.

Enquanto esperava por uma definição, ela ficou sabendo por meio de uma amiga brasileira que Portugal iria realizar um voo para retirar portugueses e pessoas de outras nacionalidades do Egito.

Procurado pela BBC Brasil, o Itamaraty reafirmou que, no momento, não há necessidade de planos especiais de evacuação de brasileiros, já que há voos comerciais saindo regularmente do país com passagens aéreas disponíveis.

O Ministério informou ainda que um diplomata está sendo enviado para o país para ajudar nas operações da embaixada no Cairo.

Facebook

Fernanda Fonseca mora no Egito desde fevereiro do ano passado no Egito. Ela trancou a matrícula da faculdade no Rio de Janeiro e foi acompanhar a mãe, que trabalha em uma empresa de telefonia celular no país. 

No Cairo, Fernanda trabalhava numa agência de turismo, recebendo brasileiros.

Ela diz que apoia os protestos pela democracia no país. "Eu estou com eles porque foram 30 anos de repressão", diz.

A estudante diz que ficou sabendo dos protestos pelo Facebook. "Na terça-feira passada, surgiu no Facebook uma conta convidando todos para se reunirem na Praça Tahrir. No começo havia pouca gente."

A partir da última sexta-feira, quando começaram os saques a casas e lojas, Fernanda foi morar em um apartamento com um grupo de estrangeiros. "Deixei meu apartamento no centro e fui para a casa de amigos no bairro de Maadi" (a 13 quilômetros de distância da praça Tahrir).

O grupo tentava não chamar a atenção. "Colocaram panos nas janelas e nas varandas para não verem que havia estrangeiras ali. Diziam que havia grupos de pessoas que entravam nas casas, roubavam as pessoas e estupravam as mulheres", conta Fernanda.

Quando havia sinal de telefone, o grupo obtinha informações do que acontecia com amigos egípcios que estavam na Praça Tahrir pelo celular.

Segundo a estudante carioca, a segurança dos bairros egípcios era feita pelos próprios cidadãos.

"As pessoas fizeram barreiras nas ruas e ficavam com pedaços de pau ou de ferro. Paravam todos os carros e revistavam para ver se não eram ladrões. Pegaram três grupos de saqueadores e todos eles tinham gente da própria polícia", disse Fernanda. Os ladrões eram entregues à polícia militar.

Alimentos

A brasileira disse ainda que, no meio da última semana passada, começou a faltar comida. Os tumultos na capital dificultavam a ida aos supermercados e grande parte das pessoas tinha dificuldades para tirar dinheiro. Nos bairros, quem tinha mantimentos dividia com os vizinhos.

"Os supermercados fechavam as portas e só deixavam entrar pessoas de dez em dez", conta.

"Os caixas automáticos não funcionavam. As pessoas tinham dinheiro no banco, mas não tinham como tirar".

Fernanda disse que, por guardar o dinheiro em casa, teve sorte na hora de comprar alimentos. "Como eu não tinha conta bancária, tinha todo o dinheiro em casa. Por isso, antes de viajar, enchi a casa de minha mãe. Fomos quatro vezes ao supermercado e viemos com o carro todo lotado."

A estudante brasileira diz ainda que pretende voltar para o Egito. De Portugal, ela vai para a Itália, onde tem parentes, para esperar que a situação normalize no Cairo.


FONTE: BBC BRASIL
Jornalistas brasileiros são detidos, vendados no Egito e obrigados a voltar para o Brasil


Enviados para o Egito para a cobertura da crise política no país, o repórter Corban Costa, da Rádio Nacional, e o repórter cinematográfico Gilvan Rocha, da TV Brasil, foram detidos, vendados e tiveram passaportes e equipamentos apreendidos.

Desde ontem (2) à noite até esta manhã, Corban e Gilvan ficaram sem água, presos em uma sala sem janelas e com apenas duas cadeiras e uma mesa, em uma delegacia do Cairo.

“É uma sensação horrível. Não se sabe o que vai acontecer. Em um primeiro momento, achei que seríamos fuzilados porque nos colocaram de frente para um paredão, mas, graças a Deus, isso não aconteceu”, afirmou Corban, que volta amanhã (4) com Gilvan para o Brasil.

Para serem liberados, os repórteres foram obrigados a assinar um depoimento em árabe, no qual, segundo a tradução do policial, ambos confirmavam a disposição de deixar imediatamente o Egito rumo ao Brasil. “Tivemos que confiar no que ele [o policial] dizia e assinar o documento”, contou Corban.

No caminho da delegacia para o aeroporto do Cairo, Corban disse ter observado a tensão nas ruas e a movimentação intensa de manifestantes e veículos militares nos principais locais da cidade.

Segundo ele, todos os automóveis são parados em fiscalizações policiais e os documentos dos passageiros, revistados. 

Os estrangeiros são obrigados a prestar esclarecimentos. De acordo com o repórter, o taxista sugeriu que ele omitisse a informação de que era jornalista.

Há dez dias, o Egito vive momentos de tensão em decorrência de onda de protestos contra a permanência de Hosni Mubarak na presidência do país.

A situação se agravou ontem, depois que manifestantes pró e contra o governo se enfrentaram nas ruas das principais cidades egípcias.

De acordo com as Nações Unidas, até agora, mais de 300 pessoas morreram nos confrontos e cerca de 3 mil ficaram feridas.



FONTE: UOL / Renata Giraldi - Da Agência Brasil - Em Brasília

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Al Qaeda ameaça o Vaticano e declara os cristãos como "alvos tangíveis" onde quer que estejam


Três dias após o massacre de dezenas de católicos na Catedral de Bagdá, o Estado Islâmico do Iraque (EII) –um conglomerado de grupos terroristas muçulmanos liderado pelo Al Qaeda- ameaçou o Vaticano a provocar "mares de sangue" e declarou aos cristãos "brancos tangíveis lá onde estejam".



Conforme recolhe a imprensa internacional, o EII difundiu um comunicado em um conhecido site usado por grupos radicais, no qual exige ao Vaticano que se desvincule dos católicos corruptos do Egito para não ser alvo dos ataques do Qaeda.



"Que saibam estes infiéis e a sua cabeça o Vaticano que a espada da morte não vai se levantar dos pescoços de seus seguidores até que (o Vaticano) anuncie que não tem nada a ver com o que fazem os cães da Igreja egípcia (...) para pôr fim ao crimes e pôr em liberdade as prisioneiras nos cárceres de seus mosteiros", diz na nota em alusão à suposta retenção de cristãs conversas ao Islã.



Os terroristas argumentam que se os dirigentes da Igreja Católica não tomam esta postura "abrir-se-ão as portas da destruição e os mares de sangue".



O texto anuncia "que todos os centros, organizações e organismos cristãos, com seus dirigentes e seguidores, são objetivos legítimos para os mujahedines lá onde possam ser alcançados".



O último domingo, ao menos 58 pessoas –incluindo dois sacerdotes católicos, numerosas mulheres e crianças- morreram na Catedral de Sayida An Nayá em Bagdá em um ataque terrorista e posterior operação para libertar as dezenas de fiéis retidos no templo enquanto se celebrava uma Missa.



A suposta retenção de muçulmanas em conventos foi desmentida pela Igreja no Egito.

 
 
 
FONTE: ACI DIGITAL

sábado, 3 de julho de 2010

Coquetel de drogas, não mordida de cobra, matou Cleópatra

Cleópatra morreu de um coquetel letal de drogas, que incluiu ópio e cicuta, de acordo com um grupo de cientistas alemães.


Até hoje acreditava-se que a Rainha do Nilo havia morrido por uma mordida de áspide, serpente do Egito. Agora Christoph Schaefer, historiador alemão e professor da Universidade de Trier, encontrou provas de que drogas, não veneno de cobra, foram a causa da morte.


"Cleópatra era famosa por sua beleza e é improvável que ela teria se sujeitado a uma morte longa e desfigurante", disse Shaefer ao jornal britânico "Dailly Telegraph".


Junto com outros especialistas, Schaefer viajou a Alexandria, no Egito, para consultar textos médicos antigos e especialistas em cobras.


"Ela provavelmente tomou uma mistura de ópio, cicuta e acônito. Naquela época, essa era uma mistura que levava a uma morte sem dor em apenas algumas horas, enquanto a morte por veneno de cobra poderia levar dias", disse Schaefer em programa do canal de TV alemão ZDF.


Cleópatra reinou de 51 a.C. a 30 a.C. e foi a última pessoa a comandar o Egito como faraó. Após sua morte, o Egito transformou-se em uma província romana.


Ela era uma aliada do imperador romano Júlio César e teve uma relação com o general romano Marco Antônio. Eles tiveram três filhos. Cartas sugerem que ela se casou com ele, embora ambos já fossem casados: ela era casada com um irmão e ele tinha uma mulher em Roma.


Em 44 a.C., após o assassinato de César, ela aliou-se a Marco Antônio contra o herdeiro legal de César, Caio Júlio César Otaviano.


Depois de perder a batalha de Áccio para as forças de Otaviano, Marco Antônio cometeu suicídio. Cleópatra matou-se logo depois, no dia 12 de agosto de 30 a.C., aos 39 anos.

 
FONTE: FOLHA ONLINE

sábado, 19 de junho de 2010

Enviado dos EUA discute bloqueio a Gaza com presidente do Egito



O enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell, conversou neste sábado com o presidente do Egito, Hosni Mubarak, sobre novas formas de ingresso de ajuda para Gaza.

Meios de comunicação oficiais informaram que ambos responsáveis políticos mantiveram hoje no Cairo uma reunião na qual Mubarak expressou a Mitchell a preocupação do Egito pela situação de Gaza, que sofre um bloqueio israelense desde junho de 2007.

Por sua vez, o emissário americano lembrou que seu país trabalha de forma urgente com o Egito, Israel, a Autoridade Nacional Palestina (ANP) e os parceiros internacionais para chegar a uma nova fórmula que permita a entrada de mais ajuda humanitária para Gaza, sem que ocorra infiltração de armas para o Hamas, que controla a região.

Na quinta-feira (17), Israel anunciou que iria suavizar o bloqueio à faixa de Gaza, após a pressão internacional que seguiu ao ataque israelense ao comboio humanitário que ia para a região no dia 31 de maio e que custou a vida de nove ativistas turcos.

Mitchell disse a Mubarak que seu país está satisfeito com a medida israelense e deseja seu cumprimento.

Posições

O ministro de Assuntos Exteriores egípcio, Ahmed Aboul Gheit, que também participou da reunião, disse em declarações divulgadas posteriormente pela agência de notícias estatal "Mena" que a posição Egito é clara no que se refere ao bloqueio de Gaza.

E acrescentou que seu país pede a Israel que outorgue ao povo palestino a oportunidade de satisfazer todas as suas necessidades sem obstáculos, e que abra as passagens fronteiriças.

Gheit lembrou que a passagem de Rafah, na fronteira entre Egito e Gaza, permanece aberta de forma contínua para a entrada de palestinos. Mubarak ordenou sua abertura total após o ataque à frota humanitária.

O ministro explicou que Mitchell também informou o chefe de Estado egípcio das negociações indiretas entre palestinos e israelenses.

Segundo Gheit, o enviado do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, espera que elas prossigam rapidamente para começar conversas diretas que levem a uma solução de dois Estados, um israelense e outro palestino.

Mitchell viajou ao Egito após uma visita de três dias a Israel e os territórios palestinos, onde se reuniu separadamente com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, e o presidente da ANP, Mahmoud Abbas.

Defesa

Israel informou à ONU (Organização das Nações Unidas) nesta sexta-feira (18) que se reserva o direito de usar "todos os meios necessários" para barrar navios que planejam trazer ajuda humanitária navegando do Líbano até Gaza, bloqueada pelo Estado judeu.

Em carta ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e ao Conselho de Segurança, a embaixadora israelense Gabriela Shalev também pediu que o governo libanês evite deixar esses navios partirem.

Shalev disse que, aparentemente, um pequeno número de navios planejava navegar a partir do Líbano e que, apesar de seus organizadores dizerem que querem levar ajuda humanitária a Gaza, "a real natureza de sua ações continua dúbia".

Ainda segundo Shalev, os organizadores disseram que querem se tornar "mártires" e há uma "possível ligação" com o grupo militantes libanês Hizbollah, cujo líder Hassan Nasrallah convidou cidadãos libaneses a participarem das flotilhas, disse Shalev.

Ela também pediu à comunidade internacional que use sua influência para evitar que esses navios partam, e para desencorajar seus cidadãos de participarem desse tipo de ação.

Bloqueio

Após pressão internacional, o governo israelense anunciou na quinta-feira (17) o alívio do bloqueio militar à faixa de Gaza. No entanto, a medida só foi divulgada em comunicado em inglês. A versão do comunicado do governo israelense em hebraico omitiu menção direta ao alívio, indicando tentativa de abrandar a decisão para o público interno no país, informa o jornal israelense "Haaretz".

Segundo o jornal, duas declarações saíram do gabinete do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu. Uma para a mídia israelense e outra para diplomatas e jornais estrangeiros.

As informações estavam diferentes nas duas versões do comunicado, aponta o "Haaretz". Em inglês foi anunciado o relaxamento do bloqueio, enquanto na versão da língua oficial do país a ação não foi citada.

Ainda não está claro se isso foi feito deliberadamente para ganhar tempo frente às pressões internacionais ou se houve omissão por parte do governo israelense.

O cerco imposto à Gaza desde 2007 foi discutido na quarta-feira (16), mas a decisão só foi anunciada na quinta. Segundo o jornal, os ministros israelenses discutiram por horas, mas não chegaram a uma decisão. Como não votaram e não chegaram a uma conclusão o bloqueio continua valendo.

A versão em inglês dizia: "Acordamos em afrouxar o sistema em que bens para civis entrem em Gaza e em aumentar o fluxo de produtos para projetos civis sob a supervisão internacional."

A versão em hebraico não continha essa parte e não dizia em nenhum outro lugar que foi aprovada a decisão, só que "seriam deixados entrar mais bens civis em Gaza".

Além disso, o governo israelense divulgou no comunicado em inglês que a ação seria implementada imediatamente. Mas segundo fontes ouvidas pelo jornal, nenhuma ordem chegou para as autoridades que monitoram a transferência de produtos para a região.

Investigação

Israel anunciou, na segunda-feira (14), a criação de uma comissão com a participação de dois observadores estrangeiros para investigar o ataque à frota em 31 de maio.

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, afirmou que o objetivo principal da investigação é provar ao mundo que a ação foi apropriada e seguiu padrões internacionais.

"A decisão do governo vai deixar claro ao mundo que Israel agiu legalmente, com responsabilidade e com total transparência", disse Netanyahu, citado pelo jornal israelense "Haaretz".

Ela que será presidida pelo juiz aposentado da Suprema Corte, Yaakov Tirkel, 75, e os dois observadores estrangeiros serão o prêmio Nobel da Paz irlandês David Trimble, ex-político protestante, e o ex-procurador geral do Exército canadense Ken Watlkin.

Ban Ki-moon disse ontem (18) que as investigações israelenses sobre o ataque de 31 de maio são importantes, mas não terão "credibilidade internacional", por isso ele continua insistindo que o governo de Israel concorde com a participação internacional e da Turquia.

Na segunda-feira (14), Ban Ki-moon, já havia dito que a proposta de investigações internacionais segue "sobre a mesa", apesar da decisão do governo de Israel, de criar uma comissão interna para estudar o incidente.

Rejeições

A Turquia, país de origem de boa parte dos cerca de 700 ativistas da embarcação atacada pelo Exército israelense, se mostrou contra a iniciativa.

Os Estados Unidos responderam ao anúncio público feito por Israel afirmando que é "um passo à frente" e que esperam que as investigações terminem "rapidamente", declarou o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, em um comunicado.

"Ainda que Israel precise de tempo para concluir o processo, esperamos que as investigações da comissão e do Exército (israelense) sejam feitas rapidamente", disse Gibbs.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, declarou-se insatisfeito e afirmou lamentar a decisão israelense de investigar com comissão própria o ataque à "Frota da Liberdade".

Abbas deixou claro que os palestinos prefeririam que o Estado judeu tivesse atendido às solicitações do Conselho de Segurança da ONU, que se reuniu um dia após o ataque e determinou que a operação do Exército de Israel deveria ser investigada por um painel internacional.

A responsável de política externa da União Europeia, Catherine Ashton, pediu que a comissão nomeada pelo governo de Israel realize uma "investigação crível" sobre o ataque à frota humanitária que se dirigia a faixa de Gaza.

Ataque

No dia 31 de maio, militares israelenses atacaram uma frota internacional de ajuda humanitária que seguia para a faixa de Gaza com militantes pró-palestinos. Na ocasião, nove militantes turcos morreram e 20 pessoas ficaram feridas.

O ataque, realizado em águas internacionais, recebeu duras críticas de diversos países, que pedem, além de esclarecimentos a Israel, o fim do bloqueio a Gaza.

 
 
 
FONTE: FOLHA ONLINE / DA EFE, NO CAIRO
Nova técnica de datação deixa faraó mais velho



Tutancâmon, o rei-menino do antigo Egito, acaba de ficar uns 15 anos mais velho. Já Djoser, primeiro faraó a mandar erguer uma pirâmide, ficou 50 anos mais idoso do que se pensava. O envelhecedor de faraós é o carbono-14.

Foi essa forma instável do elemento químico carbono que permitiu a montagem da primeira cronologia direta do Egito antigo, apresentada na edição de hoje da revista especializada "Science".

Até agora, os arqueólogos só tinham cronologias relativas -sabiam mais ou menos a ordem e a duração de cada reinado, mas precisavam de estimativas, algumas delas baseadas em acontecimentos astronômicos que aparecem em antigos papiros, para conseguir colocar datas na história do Egito faraônico.

"ENGANADOR"

"As cronologias históricas tendem a ser citadas como se o ano real fosse conhecido. Isso é enganador. Mesmo no Novo Império [período de apogeu do poderio egípcio, que começa por volta de 1560 a.C., segundo o novo estudo] há incerteza da ordem de uma ou duas décadas", explicou à Folha o líder do estudo na "Science", Christopher Ramsey, da Universidade de Oxford (Reino Unido).

O carbono-14 se incorpora na matéria orgânica conforme as plantas crescem, chegando à sua quantidade máxima quando o vegetal morre. Daí por diante, o elemento vai sumindo a uma taxa constante, que permite estimar quanto tempo se passou desde a morte da planta.

O que Ramsey e companhia fizeram foi datar 188 restos vegetais de locais construídos em vários reinados. Eram coisas como sementes e caules, que não são armazenados por muito tempo.

"Isso é interessante porque madeira, por exemplo, pode ser utilizada muito tempo depois de extraída, o que confundiria as datas", diz o egiptólogo Cássio Duarte, com doutorado em arqueologia pela USP, que avaliou o estudo a pedido da Folha.

Os dados indicam, por exemplo, que Tutancâmon começou a reinar em 1349 a.C., e Djoser, em 2676 a.C.

As margens de erro da técnica são comparáveis às da cronologia tradicional. Como boa parte do mundo antigo depende da cronologia egípcia para ser datado, "os resultados são importantes, em especial quando você vê interações com povos que não tinham escrita", afirma Duarte. Ele, porém, diz que a cronologia tradicional continuará sendo de grande valia.


 
 
FONTE: FOLHA ONLINE / REINALDO JOSÉ LOPES - DE SÃO PAULO

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Mergulhadores encontram relíquias egípcias do palácio de Cleópatra





Alta tecnologia ajuda a achar pequenos objetos de milhares de anos. Tesouros estão no fundo do mar em Alexandria.

 
 
Uma pequena estátua de cerca de 2.500 anos é mostrada a bordo do barco de pesquisas Princess Duda, ancorado em Alexandria, no Egito. Uma equipe internacional de arqueólogos mergulhadores liderados pelo francês Franck Goddio está usando tecnologia avançada para explorar as ruínas submersas de um palácio e de um templo onde Cleópatra governou.
 
 
 
 
FONTE: G1 / Com informações da AP / (Foto: Ben Curtis/AP Photo)