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terça-feira, 29 de março de 2011

Obama não descarta entregar armas à oposição líbia


O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta terça-feira que não exclui a possibilidade de fornecer armas aos rebeldes líbios, em entrevista concedida à rede de televisão NBC.

Ouvido sobre a possibilidade de Washington fornecer armas às forças da oposição, Obama respondeu: "não excluo isto, mas também não digo que faremos".

"Estamos avaliando diariamente o que as forças de Kadhafi fazem. As operações militares da coalizão começaram há nove dias" e talvez nem seja preciso armar os rebeldes líbios, mas "nada excluímos no momento".

Na mesma entrevista, Obama estimou que o líder líbio, Muammar Kadhafi, deixará o poder devido à intensa pressão internacional.

"Nossa expectativa é que, como seguimos exercendo uma forte pressão, não apenas militar, mas também por outros meios, Kadhafi deixe finalmente o poder".



FONTE: UOL /AFP

sexta-feira, 25 de março de 2011

Otan vai se responsabilizar por zona de exclusão aérea na Líbia, diz secretário-geral


Os países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) concordaram, nesta quinta-feira, em cuidar da zona de exclusão aérea na Líbia para proteger os civis contra as forças do ditador Muammar Gaddafi, afirmou o secretário-geral da organização, Anders Fogh Rasmussen.

Ele também disse que o mandato da coalizão militar, liderada pelos Estados Unidos, não foi além da zona de exclusão aérea da Otan, mas também pode agir em defesa própria.

Rasmussen pareceu contradizer uma declaração anterior ao ministro das Relações Exteriores da Turquia de que a Otan iria assumir o comando de todas as operações militares da coalizão na Líbia. "Neste momento, existe uma ação da coalizão e uma ação da Otan", disse.

Segundo o secretário-geral, a Otan ainda está estudando a possibilidade de assumir um papel ainda maior na coalizão militar, como, por exemplo, de atacar forças terrestres do ditador Muammar Gaddafi. A decisão final da organização deve sair dentro de alguns dias.

Mais cedo, o chanceler turco, Ahmet Davutoglu, disse que o comando das operações militares do Ocidente na Líbia seria transferido dos Estados Unidos para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) dentro de um a dois dias

"O compromisso foi alcançado, em princípio, em um tempo muito curto", Dovutoglu disse a repórteres. "A operação será entregue completamente à Otan."

O governo turco, liderado pelo islâmico moderado Recep Tayyip Erdogan, foi muito crítico com os ataques que a coalizão internacional está realizando contra as forças do líder líbio Muammar Gaddafi. 

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, não convidou os dirigentes turcos a participarem da Cúpula de Paris para discutir sobre os ataques à Líbia, o que aumentou as críticas de Ancara.

Nos últimos dias, diversas rodadas de conversas com a administração americana suavizaram a postura da Turquia, que finalmente decidiu enviar um terço de sua frota (4 fragatas, 1 embarcação de apoio e 1 submarino) a águas líbias para cooperar no bloqueio de armas ao regime de Gaddafi e em tarefas de ajuda humanitária.

Além disso, Ancara pôs à disposição da Aliança seis caças F-16, mas deixou claro que não participará dos bombardeios, limitando-se a vigiar o cumprimento da zona de exclusão aérea sobre a Líbia, decretada pela resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU.

O almirante da Marinha americana William Gortney também afirmou que os EUA iriam passar o comando das operações na Líbia para a Otan. Segundo o oficial, os EUA iriam apenas dar apoio aos outros países que participam da ação militar.


Pentágono nega que operação tenha matado civis

Gortney também disse que a operação das forças de coalizão não está sendo “subestimada” pelos países, e que a pressão contra a onda de violência do regime do ditador líbio Muammar Gaddafi vai continuar no país africano.

“Vou ser claro: quando e onde as forças do regime ameaçarem os civis elas serão atacadas. Nossa mensagem para as tropas do regime é simples: parem de atacar”, disse Gortney.


Gortney também afirmou que não há nenhuma ação em conjunto entre a coalizão e os rebeldes líbios.

Segundo ele, 350 aviões – sendo a metade americanos – estão envolvidos nas operações na Líbia e não há evidências de que a morte de civis esteja ligada à missão internacional, como vem sugerindo o governo líbio.

Mussa Ibrahim, um porta-voz do governo líbio, declarou nesta quinta que as forças de coalizão mataram 100 civis desde o início da intervenção, no sábado.

"O que está acontecendo agora é que os governos ocidentais estão lutando ao lado dos rebeldes. Isso não é permitido pela resolução das Nações Unidas", afirmou ele a repórteres.

"Temos um cessar-fogo em voga. Estamos apenas respondendo aos ataques aéreos, que é nosso direito, e os rebeldes no leste estão atacando nosso Exército com a cobertura dos ataques aéreos", completou.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse nesta quinta-feira que considera importante que “a comunidade internacional fale com uma só voz”, ao comentar a situação na Líbia, principalmente porque, segundo o secretário, não há “nenhuma evidência” de cessar-fogo por parte do governo líbio.


Avião líbio é abatido por franceses

Um porta-voz do ministério da Defesa francês confirmou que um avião militar líbio que violou a zona de exclusão imposta pelas forças de coalizão foi derrubado, em Misrata, por um caça francês nesta quinta-feira (24).

A emissora americana "ABC"  disse que o ditador líbio Muammar Gaddafi "desafiou pela primeira vez hoje a zona de exclusão aérea imposta pelos EUA e seus aliados, e enviou um avião de guerra a Misrata, onde foi derrubado rapidamente por aviões de combate franceses".

A coalizão militar ocidental liderada pelos Estados Unidos contra o líder líbio Muammar Gaddafi disparou 14 mísseis Tomahawk durante a noite, informaram as Forças Armadas norte-americanas.

Um porta-voz do Comando dos EUA na África disse que os países da coalizão também atiraram bombas em alvos na Líbia, onde Gaddafi permanece desafiando a campanha militar internacional que começou no fim de semana e vem se intensificando.




FONTE: UOL / Com agências internacionais

quarta-feira, 23 de março de 2011

Aviões da coalizão atacam tropas de Gaddafi em Misrata



Os aviões da coalizão internacional na Líbia bombardearam nesta quarta-feira as forças do ditador Muammar Gaddafi perto da cidade de Misrata, onde rebeldes da oposição enfrentam uma forte ofensiva. Ao menos 90 teriam morrido no ataque.

Gaddafi mantém tanques e franco-atiradores no centro de Misrata, a terceira maior cidade do país. Os rebeldes, que têm conseguido manter o controle, relatam um massacre, com atiradores matando até mesmo médicos que aplicam os primeiros-socorros em feridos. Os hospitais, relatam testemunhas, estão lotados e muitos feridos aguardam no chão por tratamento.

"O aviões aliados bombardearam duas vezes até agora. Às 0h45 (19h45 de terça-feira em Brasília) e depois novamente menos de duas horas atrás", disse um morador local Saadoun, citado à agência de notícia Reuters.

"Eles [as forças pró-Gaddafi] não dispararam uma única vez desde o ataque aéreo", comemorou.

Outro morador disse que os ataques atingiram uma base, ao sul de Misrata, onde as forças Gaddafi estão abrigadas.

Mais cedo, testemunhas na cidade relataram clima de medo. "As pessoas estão vivendo em um estado de medo. A eletricidade foi cortada, a água foi cortada".

Somente nesta terça-feira, disparos de atiradores e de obuses mataram 17 pessoas, incluindo cinco crianças, informou à France Presse um médico de um hospital da cidade.

Essas missões de bombardeio de precisão podem ser dirigidas de longa distância, com sistemas eletrônicos. Às vezes, eles usam informações de rebeldes na zona-alvo ou das forças especiais das patrulhas de reconhecimento de longo alcance para orientar os aviões.

Além de impor a zona de restrição aérea, a operação internacional Aurora da Odisseia tem como objetivo proteger os civis líbios da repressão violenta das forças de Gaddafi. Os tanques do ditador em Benghazi, reduto dos rebeldes no leste do país, foram o primeiro alvo da ofensiva, ainda no sábado (19).

Mesmo antes do ataque em Misrata, o almirante americano Peg Klein disse que aviões seriam enviados para atacar tanques de Gaddafi.

"Algumas dessas cidades ainda têm tanques avançando sobre eles, para atacar o povo líbio", disse Klein, comandante do grupo de ataque expedicionário a bordo do USS Kearsarge.

Citando ordens do presidente americano e a resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), que aprovou a intervenção, o almirante afirmou que os tanques são o alvo dos aviões dos EUA deslocados na Líbia.

TRÍPOLI

A manhã de quarta-feira (madrugada em Brasília) foi marcada por explosões e artilharia pesada antiaérea na capital da Líbia, Trípoli, aparentemente mais um dia de ofensiva internacional contra as forças de Muammar Gaddafi.

Ao menos duas explosões foram ouvidas antes do amanhecer desta quarta-feira. Segundo a rede de TV CNN, a fonte das explosões e dos tiros não está clara.

Mas a região atingida tem uma grande base militar --um dos alvos prioritários da operação Aurora da Odisseia.

Força aérea líbia foi totalmente destruída, diz comandante britânico

Aviões da coalizão internacional destruíram totalmente a força aérea do ditador líbio, Muammar Gaddafi e voam livremente dentro do espaço aéreo do país, atacando tropas no solo em qualquer local onde a população civil esteja sob ameaça, disse um alto comandante militar britânico nesta quarta-feira.

"Nós estamos agora fazendo pressão incessante sobre as forças armadas líbias", disse o comandante Greg Bagwell, segundo relato por escrito feito em uma base aére no sul da Itália, onde jatos britânicos estão baseados.

"Efetivamente, a força aérea [de Gaddai] não existe mais como força de combate, e o sistema de defesa aérea está gravemente deteriorado, de forma que podemos operar livremente no espaço aéreo livre", escreveu ainda Bagwell.

Ele relatou ainda que devem haver algumas mudanças na estrutura de comando das forças aliadas, mas que a operação continuará de forma semelhante.

Mais cedo hoje, os aviões da coalizão bombardearam as forças de Gaddafi perto da cidade de Misrata, onde rebeldes da oposição enfrentam uma forte ofensiva. Ao menos 90 teriam morrido no ataque.

Gaddafi mantém tanques e franco-atiradores no centro de Misrata, a terceira maior cidade do país. Os rebeldes, que têm conseguido manter o controle, relatam um massacre, com atiradores matando até mesmo médicos que aplicam os primeiros-socorros em feridos. Os hospitais, relatam testemunhas, estão lotados e muitos feridos aguardam no chão por tratamento.

"O aviões aliados bombardearam duas vezes até agora. Às 0h45 (19h45 de terça-feira em Brasília) e depois novamente menos de duas horas atrás", disse um morador local Saadoun, citado à agência de notícia Reuters. "Eles [as forças pró-Gaddafi] não dispararam uma única vez desde o ataque aéreo", comemorou.

Outro morador disse que os ataques atingiram uma base, ao sul de Misrata, onde as forças Gaddafi estão abrigadas.

Mais cedo, testemunhas na cidade relataram clima de medo. "As pessoas estão vivendo em um estado de medo. A eletricidade foi cortada, a água foi cortada".

Somente nesta terça-feira, disparos de atiradores e de obuses mataram 17 pessoas, incluindo cinco crianças, informou à France Presse um médico de um hospital da cidade.

TRÍPOLI

A manhã de quarta-feira (madrugada em Brasília) foi marcada por explosões e artilharia pesada antiaérea na capital da Líbia, Trípoli, aparentemente mais um dia de ofensiva internacional contra as forças de Muammar Gaddafi.

Ao menos duas explosões foram ouvidas antes do amanhecer desta quarta-feira. Segundo a rede de TV CNN, a fonte das explosões e dos tiros não está clara.

Mas a região atingida tem uma grande base militar --um dos alvos prioritários da operação Aurora da Odisseia.

GOVERNO REBELDE

Os rebeldes líbios designaram Mahmoud Jabril como chefe de governo interino, no que sinaliza uma mudança na estratégia seguida até agora pelo Conselho Nacional Transitório (CNT), criado em 27 de fevereiro, informou a rede de TV árabe Al Jazeera.

Segundo a TV, o novo presidente provisório, que estava à frente do comitê de crise para assuntos militares e exteriores, assumirá a tarefa de nomear seus ministros. Até agora, Jabril havia desempenhado a representação exterior do CNT e tinha viajado a Paris para se encontrar com o presidente francês, Nicolas Sarkozy --primeiro país a reconhecer oficialmente a autoridade dos rebeldes.

Considerado um reformista, sua designação pode ser interpretada como um passo em busca do reconhecimento exterior, embora até agora os rebeldes tenham evitado essa denominação para tentar diminuir o risco de divisão no país. Sua escolha para liderar o governo provisório sediado em Benghazi, um dos principais redutos rebeldes, representa a existência de dois gabinetes no país.

SEM LIDERANÇA

A falta de organização da revolta e os protestos iniciados em Benghazi em 16 de fevereiro --que um dia depois atingiu o país de leste a oeste-- foram agravados pela ausência de uma liderança clara entre a mobilização opositora na Líbia --que foi assumida provisoriamente por Mustafa Abdel Jalil, ex-ministro da Justiça de Muammar Gaddafi.

No entanto, as dissonâncias fizeram-se evidentes, desde o primeiro momento, por sua particular interpretação das decisões do CNT, cujo vice-presidente e porta-voz oficial, Abdel Hafiz Ghoga, teve de desmenti-lo em várias ocasiões.

Sem o consenso dos demais conselheiros, ele defendeu a aceitação da saída de Gaddafi em troca da garantia de que os rebeldes não levariam o ditadorl à Justiça, proposta que suscitou críticas entre os conselheiros.

À ausência de uma liderança clara, somou-se a descoordenação dos insurgentes, que agiram no plano militar com pouca estratégia, o que ficou evidenciado quando Gaddafi lançou uma contraofensiva e chegou às imediações de Benghazi. As tropas leais ao ditador foram detidas na região pelos ataques aéreos da coalizão internacional.


FONTE: FOLHA.COM / DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS