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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Verba para reassentar moradores de áreas de risco do RJ não é usada


Em 2011, a Secretaria de Obras do estado tinha no orçamento mais de R$ 200 milhões para essa finalidade. 

Segundo o Sistema Integrado de Administração Financeira para Estados e Municípios, nenhum centavo foi empenhado.

O Jornal Nacional foi investigar o que o governo do Rio de Janeiro fez, no ano passado, com a verba destinada a ajudar moradores de áreas de risco. 

Descobriu que havia a promessa de gastar mais de R$ 200 milhões, mas o dinheiro acabou não sendo usado. A reportagem é de Bette Lucchese e Marcelo Ahmed.

Há um ano, as vítimas da chuva dizem sentir angústia e medo toda vez que chove. “Toda noite, tem que sair de casa, um desconforto fora de série", revela um morador.

Uma pedra gigantesca ameaça rolar do alto de um morro, em Nova Friburgo. “A prefeitura alega que não tem dinheiro, que não tem recurso para mexer com a pedra ali", conta uma moradora.

O dinheiro deveria haver para ajudar quem vive em regiões perigosas. Em 2011, a Secretaria Estadual de Obras do Rio tinha no orçamento mais de R$ 200 milhões para uma finalidade específica: reassentar moradores de áreas de risco. 

De acordo com um documento do Sistema Integrado de Administração Financeira para Estados e Municípios, nenhum centavo foi empenhado.

O atual prefeito de Nova Friburgo, Sergio Xavier, afirma que não recebeu dinheiro do estado: “Não, especificamente, receber uma verba, nós não recebemos”.

O secretário de Obras do estado, Hudson Braga, admitiu que o governo prometeu uma verba que não tinha: “Tinha o orçamento, mas, fisicamente, esse dinheiro não existia, nós estávamos negociando com o Governo Federal a vinda desse recurso”, explica.

O governador Sérgio Cabral, que esteve nesta terça-feira (3) em Nova Friburgo, disse que houve outra dificuldade: “Encontrar terrenos seguros que, depois de uma avaliação técnica, nos permitisse fazer as obras necessárias por conta do governo do estado de infraestrutura e o Governo Federal entrar com o Minha Casa, Minha Vida”.

O governador fez um anúncio: “Semana que vem, iniciam-se as obras, são mais de 2 mil apartamentos aqui em Nova Friburgo, uma obra de, se não me engano, mais de R$ 300 milhões”.

Ao visitar um dos bairros mais devastados pela catástrofe do ano passado, é como se o tempo tivesse parado. Seu Eliezio ainda se emociona: “Muita tristeza, eu querendo ajudar pessoas a salvar vidas e não podia porque estava entrevado".

O papel da interdição ainda está colado na parede na fachada casa em que ele mora com a mulher. A Defesa Civil esteve no local poucos dias depois do temporal de janeiro passado. Há rachaduras em dois quartos e, na pequena cozinha, a situação é ainda pior.

"Nos cômodos todinhos chove, a gente tira baldes e baldes de água. A gente não consegue dormir, o meu medo é isso aqui cair, como é que a gente vai fazer?", lamenta Norma Schuenck.




FONTE: G1

Publicado em 03/01/2012

quarta-feira, 23 de março de 2011

Tragédia custará US$ 309 bi aos cofres públicos do Japão, diz governo


O Banco Central japonês estima que a recuperação nas sete províncias da região nordeste do país atingidas pelo terremoto e pelo tsunami do último dia 11 custe aos cofres públicos mais de US$ 309 bilhões (R$ 512 bilhões).

Com isto, o governo do Japão espera que a taxa de crescimento econômico seja reduzida para 0.5% este ano.

O resultado poderá ser pior, caso persistam os efeitos da crise nuclear na usina de Fukushima Daiichi. No entanto, segundo o ministro da Economia e Política Fiscal japonês, Kaoru Yosano, a pressão negativa poderá ser neutralizada pelo trabalho de reconstrução das cidades destruídas pelo terremoto e pelo tsunami.

"Há pessoas que acreditam que a economia japonesa poderá afundar", criticou o ministro. Ele afirmou à imprensa que a perda no Produto Interno Bruto (PIB) não será tão grande como dizem os críticos.

"Mas temos de ter em mente que, por causa do terremoto, a produção pode desacelerar numa extensa área e por um período prolongado", acrescentou.

Já o Banco Mundial prevê que a recuperação da economia japonesa ganhará impulso apenas no final do ano, com um prejuízo estimado entre US$ 122 bilhões (R$ 202 bilhões) e US$ 235 bilhões (R$ 390 bilhoes).

"A economia do Japão terá, obviamente, uma queda no primeiro trimestre", disse nesta quarta-feira o economista chefe do Banco Mundial, Justin Lin, durante um fórum econômico na China.

"Após o período de reconstrução, que deve ocupar o segundo e terceiro trimestre, a economia terá um avanço", afirmou.


INDÚSTRIA PARADA

Grandes indústrias japonesas como Sony, Toyota e Honda, anunciaram nesta semana a paralisação da produção, pelo menos até o final do mês.

As principais dificuldades enfrentadas são escassez de peças, problemas de infraestrutura e cortes de energia elétrica.

A Sony, uma das mais afetadas, reduziu a produção em cinco fábricas. "Se a escassez de componentes continuar, nós vamos considerar medidas alternativas, incluindo uma transferência da produção para o exterior", anunciou a empresa em comunicado.

O economista Hideki Matsumura, do Instituto de Pesquisas do Japão, disse à BBC Brasil que, no curto prazo, o nível de atividade da economia japonesa deverá ser fortemente afetado, "principalmente devido à queda nas exportações de carros e de eletrônicos".

Para Matsumura, o setor de serviços também será bastante prejudicado. "As pessoas estão mais 'contidas' e se preservando para um possível período difícil", disse.

Hotéis, restaurantes, parques e campos de golfes já sentem o reflexo. Os dois parques do complexo Tokyo Disney Resort Park, na região metropolitana de Tóquio, por exemplo, continuam fechados por tempo indeterminado.

O setor de luxo, como lojas de grifes, joalherias, relojoarias e revendedoras de carros, segundo Matsumura, também sofrerão uma queda de consumo. "Já os setores de construção civil e de baterias deverão ter um crescimento significativo", afirmou.


ITENS BÁSICOS

Na semana após o terremoto, houve uma corrida aos supermercados e lojas de conveniência para estocar produtos. Arroz, água, pilhas, papel higiênico e outros itens de primeira necessidade sumiram das prateleiras.

Isao Marufushi, proprietário de uma loja de arroz na região metropolitana de Tóquio, diz que vendeu tudo o que tinha em três dias.

"Mas a distribuição já está voltando ao normal", afirmou o comerciante à BBC Brasil. A loja existe há 40 anos e, neste período, ele disse que nunca vendeu todo o estoque. "A população entrou em pânico."




FONTE: FOLHA.COM / BBC BRASIL