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sábado, 4 de junho de 2011

Após prisões, bombeiros do Rio fazem operação-padrão


Os bombeiros do Rio de Janeiro estão fazendo operação-padrão, após a prisão 439 pessoas, envolvidas na invasão do quartel central da corporação nesta sexta-feira (3), reivindicando melhores salários. O atendimento deve ser prestado apenas em casos de urgência extrema.

A Folha telefonou para diversas unidades e constatou que nem todas estão com o efetivo completo. "Quem entrou ontem está dobrando porque hoje o pessoal não veio", informou um dos soldados ouvidos.

Segundo ele, que não quis se identificar, o seu quartel, na zona sul da cidade, estava com apenas 20% do pessoal. Em outro quartel, na zona oeste, a frequência era de 70%. Mesmo em quartéis onde 100% do efetivo compareceu, a informação é que atendimento só será prestado "em caso de emergência extrema".

Os aquartelados prometem manifestações ao longo de toda a semana. "Podem prender 1.000, 2.000, nós vamos continuar. Nosso movimento não tem um líder, a insatisfação é geral', afirmou um dos bombeiros.

A Secretaria de Saúde e Defesa Civil não quis comentar as declarações. Em nota, o comando da corporação informou que 'a rotina de atendimento à população está mantida' e que todas as unidades 'estão operando normalmente'. Ainda de acordo com a nota, 'os substitutos dos bombeiros detidos pela Polícia Militar já assumiram seus postos desde o inicio da manhã na troca normal de plantões'.


INVASÃO

O quartel central do Corpo de Bombeiros do Rio foi ocupado na sexta-feira (4) à noite por cerca de 2.000 manifestantes, de vários batalhões da cidade, alguns acompanhados por familiares --mulheres e crianças-- que reivindicam melhores salários. Durante quase cinco horas --das 21h às 2h-- o comandante geral da PM, coronel Mario Sergio Duarte, esteve no local negociando com os invasores. Ao longo da madrugada, alguns bombeiros deixaram o quartel.

Policiais militares do Batalhão de Choque invadiram às 6h de hoje o quartel com o uso de bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo para dispersar a manifestação. O comandante do batalhão de choque, Valdir Soares, ficou ferido durante a ação. Uma criança de dois anos foi atendida no hospital Souza Aguiar por ter inalado gás, mas já foi liberada.

A informação inicial era de que cerca de 600 bombeiros foram presos após a invasão e transferidos --em um forte esquema de segurança-- para a Corregedoria da Polícia Militar em São Gonçalo, na região metropolitana no Rio, na manhã deste sábado.

No entanto, a PM confirmou posteriormente que são 439 presos.


"VÂNDALOS"

Em entrevista coletiva neste sábado, o governador do Rio, Sergio Cabral (PMDB), qualificou os bombeiros que invadiram o quartel de "vândalos irresponsáveis" e a invasão de ação "inaceitável do ponto de vista do Estado de Direito democrático e do respeito à instituição centenária, admirada pelo povo do Rio de Janeiro".

Cabral refutou a alegação dos manifestantes de que recebiam o pior salário do país, dizendo que, em seu governo, a corporação está tendo pela primeira vez um plano de recuperação salarial. 'Não é verdade [que é o pior salário do Brasil]. E mesmo que fosse, não se justificaria a entrada no quartel, agindo contra a instituição. É intolerável', afirmou.

De acordo com o governador, o salário médio dos bombeiros é de R$ 1.500 e chegará a R$ 2.000 no final do ano.

Há cerca de um mês os bombeiros estão em campanha salarial. Eles reivindicam um aumento de R$ 950 para R$ 2.000, além de melhorias em suas condições de trabalho.

De acordo com o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, os bombeiros amotinados podem ser expulsos da corporação, conforme o resultado do processo disciplinar que será aberto contra eles.

O comandante do Corpo de Bombeiros do Rio, Pedro Machado, foi exonerado do cargo. Em seu lugar, foi nomeado o coronel Sergio Simões, até então subsecretário de Defesa Civil do município do Rio.



FONTE: FOLHA.COM / DAMARIS GIULIANA  - COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DO RIO
DE SÃO PAULO /  DA AGÊNCIA BRASIL

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Cólera é registrado nos EUA após 1.100 

mortes no Haiti; ONU mata um em

 confronto



O surto de cólera que matou mais de 1.000 pessoas no Haiti ultrapassou a fronteira do país e chegou aos Estados Unidos. Segundo a imprensa local, uma mulher moradora do Condado de Collier, no Estado da Flórida, foi hospitalizada ao retornar de uma viagem ao Haiti com sintomas da doença.

Nesta quarta-feira, ao menos uma pessoa morreu e várias ficaram feridas em novos protestos contra a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) --chefiada pelo Brasil-- na cidade de Cap Haitien, no norte do país caribenho, segundo a imprensa local.

Segundo testemunhas, um tanque da Minustah caiu em uma trincheira cavada por manifestantes na rua. Eles começaram a atirar pedras quando os soldados saíram para empurrar o veículo. As forças de paz teriam começado a atirar, matando um homem e ferindo outros manifestantes, segundo testemunhas.

Parte da população acredita que soldados nepaleses que integram as tropas de paz foram os responsáveis pela entrada do vibrião de cólera no país.

EUA

Nos EUA, a paciente, cujo nome não foi revelado, está em boas condições, assinalou Thomas Torok, médico do Departamento de Epidemiologia da Flórida. Ela apresentava sintomas da doença desde a semana passada após ter viajado para a região de Artibonite, onde começou a epidemia de cólera no Haiti.

O Departamento de Epidemiologia da Flórida advertiu para a possibilidade de que sejam detectados mais casos de cólera no Estado, onde vivem cerca de 241 mil pessoas de origem haitiana, 46% do total da população radicada nos EUA.

Como resultado da forte presença da comunidade haitiana no sul da Flórida, "pode-se esperar que alguns viajantes que retornem do Haiti desenvolvam os sintomas do cólera no caminho ou pouco após chegarem ao estado", afirmaram fontes do departamento.

Além disso, existe a possibilidade de que as pessoas "que estiveram perto ou em contato com as que retornaram do Haiti" desenvolvam os sintomas da doença, embora o cólera não se propague facilmente em países desenvolvidos como os Estados Unidos, acrescentou o Departamento de Epidemiologia.

ALERTA

Nesta terça-feira, a República Dominicana também emitiu alerta depois de diagnosticar um haitiano de 32 anos com cólera. Ele foi hospitalizado em Higuey, 140 km ao leste de Santo Domingo, segundo o Ministério de Saúde dominicano.

O presidente dominicano, Leonel Fernández, se reuniu nesta quarta-feira com seu gabinete e concordou em reforçar as medidas de controle na fronteira com o Haiti. Ambos os países compartilham a ilha La Española, em uma fronteira de 376 km.


No Haiti, um novo balanço do Ministério de Saúde elevou para 1.110 os mortos, 76 a mais do que o balanço da véspera. O número de internados com sintomas aumentou em 1.583, chegando a 18.382 desde o começo da epidemia, em meados de outubro.

Os números, segundo a Organização Pan-americana de Saúde, ainda estão subestimados. O órgão afirma que até 20 mil podem ser infectados e até 10 mil podem morrer nos próximos seis a 12 meses.

O cólera, particularmente fatal em crianças e idosos, se desenvolve rapidamente depois das bactérias chegarem ao intestino. Os sintomas incluem forte diarreia e desidratação e, sem tratamento, pode matar em poucas horas.

PROTESTOS

O rumor de que o vibrião de cólera entrou no Haiti por meio de soldados nepaleses da Missão da ONU causou violentos confrontos que ainda tomam as ruas do norte do país, e levou o presidente René Preval a pedir calma à população.

"Propiciar a desordem e a instabilidade jamais foi a solução para um país que vive momentos difíceis", declarou o presidente em uma mensagem à nação ainda na noite de terça-feira (16).

Preval denunciou "grupos" que tentam se aproveitar da epidemia de cólera e dos desastres naturais para provocar distúrbios e gerar divisões entre as autoridades nacionais e a sofrida população, e entre os locais e os integrantes da Minustah.

Na noite de segunda-feira soldados nepaleses foram apedrejados durante uma manifestação em Hinche, região central do Haiti. Um boato afirma que a epidemia de cólera foi provocada pelas fossas sépticas de um acampamento situado perto de Mirebalais, também no centro do país, onde estão baseados vários soldados enviados pelo Nepal.

Os exames nos soldados nepaleses provaram que os oficiais não têm relação com a epidemia, segundo Ramindra Chhettri, porta-voz do Exército do país.

O corpo de um jovem de 20 anos foi encontrado diante de uma base da Minustah em Quartier-Morin, uma cidade de Cap Haitien, norte do país. Outro jovem morreu ao ser atingido por tiros em uma rua de Cap Haitien.

A porta-voz da ONU em Genebra, Corinne Momal-Vanian, disse que os protestos desta segunda-feira contra a presença da Minustah no Haiti foram "politicamente motivados" pelo período pré-eleitoral.

Além disso, referiu-se a um comunicado emitido pela ONU em Porto Príncipe, que destaca que "foram feitos vários experimentos" para verificar a responsabilidade dos agentes da Minustah e todos deram negativo.

A porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), Elizabeth Byrs, fez uma chamada urgente aos Estados-membros da ONU para que cumpram suas promessas em matéria de financiamento para dar assistência à crise humanitária no país.





FONTE: FOLHA ONLINE - DE SÃO PAULO / DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS 

Notícia divulgada em 17.11.2010

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Supremo reafirma que insignificância não se aplica a porte de drogas em estabelecimento militar




O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou seu entendimento de que a posse de reduzida quantidade de substância entorpecente por militar, em unidade sob administração castrense, não permite a aplicação do chamado princípio da insignificância penal. A decisão foi tomada no julgamento do Habeas Corpus (HC) 94685, ajuizado na Corte em favor de um ex-soldado do exército, condenado a um ano de prisão pelo porte de 3,8 gramas de maconha no quartel em que cumpria serviço militar obrigatório.



Os ministros confirmaram, na tarde de ontem (11), a decisão tomada pelo Plenário em 21 de outubro deste ano, no julgamento do HC 103684, que tratava do mesmo tema. Na oportunidade, por maioria de votos, os ministros entenderam que seria inaplicável a tese da insignificância no âmbito das relações militares. E ainda que a legislação especial – o Código Penal Militar – prevalece sobre a lei comum, a nova lei de tóxicos (Lei 11.343/06). Para os ministros, as relações militares são dominadas pela disciplina e hierarquia.



No início do julgamento do HC 94685, em outubro de 2008, a relatora do caso, ministra Ellen Gracie, considerou que o porte de droga, mesmo que para consumo pessoal, é prejudicial e perigoso nas Forças Armadas. A ministra entendeu, na ocasião, que um julgamento favorável ao réu poderia fragilizar as instituições militares e lembrou que a Lei de Tóxicos não revogou o artigo 290, do Código Penal Militar, que trata do uso, porte ou tráfico de entorpecentes em lugar sujeito à administração militar.



No julgamento do HC 94685, ficou vencido apenas o ministro (aposentado) Eros Grau.





FONTE: STF

sábado, 22 de maio de 2010

Talibã ataca base da Otan no sul do Afegenistão e fere soldados




Militantes tentaram invasão em ataque terrestre após disparos de foguetes. Ainda não há informações sobre número de soldados feridos.







Vários soldados da Otan foram feridos neste sábado (22) num disparo de foguetes por militantes do Taliban contra um campo de pouso em Kandahar, no sul do Afeganistão. Há o temor de que insurgentes possam ter entrado na base, informou a organização.
O disparo de foguetes e granadas de morteiro foi seguido de um assalto terrestre contra a enorme base em Kandahar, a capital espiritual do Taliban, onde as forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) estão preparando uma série de ofensivas para impor seu controle sobre a província.
"O campo de pouso de Kandahar ficou sob fogo indireto hoje por volta das 20h (horário local) e pouco depois foi iniciado também um ataque terrestre", disse um porta-voz das forças lideradas pela Otan no Afeganistão, coronel Todd Vician.
Um pequeno número de soldados da Otan ficou ferido, acrescentou. "Pode haver insurgentes na base", declarou um outro porta-voz, major Fred Vemos. Ele disse que as forças de segurança responderam ao ataque, mas não deu detalhes.
Uma fonte de inteligência da base afirmou que foram três foguetes. Um deles atingiu um terminal de helicópteros usados por tropas estrangeiras, ferindo quatro estrangeiros, outro caiu sobre uma área de compras e o terceiro não alcançou nenhum alvo significativo.
As pessoas na base receberam ordens de ir para abrigos e foi feito um alerta por alto-falante sobre o perigo de ataque terrestre, disse um jornalista que estava lá. "Eles (os insurgentes) podem ter penetrado na base. Há relatos de disparos de armas pequenas", afirmou Lucian Read.
O ataque ocorreu dias depois de uma ousada investida do Taliban contra uma das maiores bases da coalizão liderada pela Otan, em Bagram, ao norte da capital afegã, matando um empreiteiro norte-americano e ferindo nove soldados, também dos EUA.
O Taliban anunciou que lançaria uma ofensiva a partir de 20 de maio contra o governo, forças estrangeiras e diplomatas no Afeganistão, em resposta contra os planos da Otan de iniciar uma operação contra o mais forte reduto do grupo, a região de Kandahar, no sul afegão.

FONTE: G1 / REUTERS