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sábado, 3 de julho de 2010

Coquetel de drogas, não mordida de cobra, matou Cleópatra

Cleópatra morreu de um coquetel letal de drogas, que incluiu ópio e cicuta, de acordo com um grupo de cientistas alemães.


Até hoje acreditava-se que a Rainha do Nilo havia morrido por uma mordida de áspide, serpente do Egito. Agora Christoph Schaefer, historiador alemão e professor da Universidade de Trier, encontrou provas de que drogas, não veneno de cobra, foram a causa da morte.


"Cleópatra era famosa por sua beleza e é improvável que ela teria se sujeitado a uma morte longa e desfigurante", disse Shaefer ao jornal britânico "Dailly Telegraph".


Junto com outros especialistas, Schaefer viajou a Alexandria, no Egito, para consultar textos médicos antigos e especialistas em cobras.


"Ela provavelmente tomou uma mistura de ópio, cicuta e acônito. Naquela época, essa era uma mistura que levava a uma morte sem dor em apenas algumas horas, enquanto a morte por veneno de cobra poderia levar dias", disse Schaefer em programa do canal de TV alemão ZDF.


Cleópatra reinou de 51 a.C. a 30 a.C. e foi a última pessoa a comandar o Egito como faraó. Após sua morte, o Egito transformou-se em uma província romana.


Ela era uma aliada do imperador romano Júlio César e teve uma relação com o general romano Marco Antônio. Eles tiveram três filhos. Cartas sugerem que ela se casou com ele, embora ambos já fossem casados: ela era casada com um irmão e ele tinha uma mulher em Roma.


Em 44 a.C., após o assassinato de César, ela aliou-se a Marco Antônio contra o herdeiro legal de César, Caio Júlio César Otaviano.


Depois de perder a batalha de Áccio para as forças de Otaviano, Marco Antônio cometeu suicídio. Cleópatra matou-se logo depois, no dia 12 de agosto de 30 a.C., aos 39 anos.

 
FONTE: FOLHA ONLINE

sábado, 19 de junho de 2010

Nova técnica de datação deixa faraó mais velho



Tutancâmon, o rei-menino do antigo Egito, acaba de ficar uns 15 anos mais velho. Já Djoser, primeiro faraó a mandar erguer uma pirâmide, ficou 50 anos mais idoso do que se pensava. O envelhecedor de faraós é o carbono-14.

Foi essa forma instável do elemento químico carbono que permitiu a montagem da primeira cronologia direta do Egito antigo, apresentada na edição de hoje da revista especializada "Science".

Até agora, os arqueólogos só tinham cronologias relativas -sabiam mais ou menos a ordem e a duração de cada reinado, mas precisavam de estimativas, algumas delas baseadas em acontecimentos astronômicos que aparecem em antigos papiros, para conseguir colocar datas na história do Egito faraônico.

"ENGANADOR"

"As cronologias históricas tendem a ser citadas como se o ano real fosse conhecido. Isso é enganador. Mesmo no Novo Império [período de apogeu do poderio egípcio, que começa por volta de 1560 a.C., segundo o novo estudo] há incerteza da ordem de uma ou duas décadas", explicou à Folha o líder do estudo na "Science", Christopher Ramsey, da Universidade de Oxford (Reino Unido).

O carbono-14 se incorpora na matéria orgânica conforme as plantas crescem, chegando à sua quantidade máxima quando o vegetal morre. Daí por diante, o elemento vai sumindo a uma taxa constante, que permite estimar quanto tempo se passou desde a morte da planta.

O que Ramsey e companhia fizeram foi datar 188 restos vegetais de locais construídos em vários reinados. Eram coisas como sementes e caules, que não são armazenados por muito tempo.

"Isso é interessante porque madeira, por exemplo, pode ser utilizada muito tempo depois de extraída, o que confundiria as datas", diz o egiptólogo Cássio Duarte, com doutorado em arqueologia pela USP, que avaliou o estudo a pedido da Folha.

Os dados indicam, por exemplo, que Tutancâmon começou a reinar em 1349 a.C., e Djoser, em 2676 a.C.

As margens de erro da técnica são comparáveis às da cronologia tradicional. Como boa parte do mundo antigo depende da cronologia egípcia para ser datado, "os resultados são importantes, em especial quando você vê interações com povos que não tinham escrita", afirma Duarte. Ele, porém, diz que a cronologia tradicional continuará sendo de grande valia.


 
 
FONTE: FOLHA ONLINE / REINALDO JOSÉ LOPES - DE SÃO PAULO